Das cinco testemunhas indicadas pela defesa do sócio da boate Kiss Elissandro Spohr, o Kiko, apenas uma prestou depoimento na manhã desta quinta-feira em Santa Maria, na região central do Estado, durante as oitivas do processo criminal da tragédia, ocorrida em janeiro de 2013 e que matou 242 pessoas.
No Salão do Júri do Fórum de Santa Maria, o juiz Ulisses Louzada ouviu apenas o empresário Valmir Santini, dono da empresa que instalou o gradil que ficava dentro da boate. Santini afirmou que jamais recebeu instrução sobre como proceder na instalação das estruturas.
Dois bombeiros foram indicados pela defesa de Kiko Spohr para prestar depoimento. No entanto, nenhum deles foi ouvido pelo juiz Louzada. O tenente-coronel da reserva Daniel da Silva Adriano esteve no Fórum, mas não participou das oitivas. Ele disse apenas que não conhece Kiko e que por isso não teria razão para falar.
Adriano é réu na Justiça Militar por falsidade ideológica. Em 2009, quando estava na ativa, ele teria expedido o primeiro alvará do Plano de Prevenção Contra Incêndio da Kiss (PPCI). O documento informava que o local havia sido inspecionado e aprovado, mas, de acordo com a denúncia, ele não teria observado as leis municipais e estaduais de prevenção.
A outra testemunha era o major Gerson da Rosa Pereira, que não compareceu, mas comunicou a ausência. Ele é réu no processo da boate Kiss por supostamente ter incluído documentos que não estariam no PPCI. Também indicado pela defesa, o empresário Marcelo Guidolim não foi encontrado. Já Sandro Cardoso não apareceu porque está processando Kiko Spohr porque uma das filhas estava na Kiss no dia do incêndio.
O juiz Ulisses Louzada comunicou hoje que o Comando da Brigada Militar (BM) em Santa Maria ordenou a retirada do policiamento que guardava os escombros da boate Kiss. De acordo com Louzada, o local não terá mais segurança policial em 10 dias por falta de contingente e pela proximidade da Operação Golfinho.