No dia em que se completou 28 meses da tragédia da boate Kiss, em Santa Maria, uma audiência pública foi realizada na Assembleia Legislativa para expor como estão sendo feitos os acompanhamentos social e de saúde aos sobreviventes e às famílias. O Plenarinho ficou lotado, onde os familiares demonstraram sua revolta com a demora no processo e pediram melhor atendimento aos sobreviventes e Justiça. Fotos e faixas foram espalhadas pelo local.
O presidente da Associação das Vítimas da Tragédia de Santa Maria (AVTSM), Sérgio da Silva, enfatizou a sua insatisfação com a falta de conclusões. “Não conseguimos lidar com essa perda e temos que ficar pedindo para os representantes dos poderes uma atitude. Estou tentando alguma conquista para proteger os outros, porque pelo meu filho eu não posso fazer mais nada”, afirmou ele, visivelmente emocionado e irritado.
De acordo com Silva, em um primeiro momento, houve uma grande mobilização para o atendimento dos sobreviventes, mas a estrutura reduziu. “O cuidado tem que ser constante”, defendeu. Na ocasião, o representante das famílias entregou um ofício à Comissão de Saúde e Meio Ambiente, presidida pelo deputado Valdeci Oliveira (PT), e outro à Comissão de Cidadania e Direitos Humanos, representada pelo deputado Pedro Ruas (PSol). As comissões promoveram juntas a audiência a partir de um pedido da Associação. Um ônibus veio de Santa Maria com 36 familiares e sobreviventes.
“Os princípios da administração pública são o atendimento aos interesses da população e não o contrário”, defendeu o diretor jurídico da AVTSM, Paulo Carvalho. Durante a audiência foi transmitido um vídeo de três minutos com as fotos dos 242 jovens mortos. O momento foi de grande emoção, com choro e gritos por parte dos pais das vítimas.
Na abertura da audiência, o deputado Valdeci Oliveira declarou que acidentes poderiam ser evitados com o respeito às normas. “Os pais merecem saber o que aconteceu, doa a quem doer”. De acordo com o representante do Ministério Público, Mauro Luís Silva de Souza, o órgão tem acompanhado a assistência das vítimas desde o primeiro dia e uma comissão atua em Santa Maria com o monitoramento da situação.
Audiência pública expõe problemas no acompanhamento de vítimas da boate Kiss
Presidente da Associação das Vítimas da Tragédia de Santa Maria enfatizou insatisfação com falta de conclusões