A investigação buscou esclarecer se algum policial militar se omitiu durante os processos de fiscalização. O coronel Flávio da Silva Lopes, que assumiu a condução do processo, preferiu não antecipar o número de indiciados, mas ressaltou que o total deve ficar entre quatro e dez. Os militares devem responder pelos crimes de homicídio, descumprimento de norma, advocacia administrativa, lesão corporal, patrocínio em débito e falsidade ideológica.
Ainda conforme Lopes, ao longo de quatro meses, 699 depoimentos foram realizados resultando na investigação de 44 pessoas, entre bombeiros, policiais militares e integrantes do policiamento. O inquérito reuniu mais de sete mil páginas e 35 volumes a serem enviados à Justiça Militar. O Ministério Público Militar também deve receber uma cópia do material.
Na Justiça comum, processo foi desmembrado
Já na esfera criminal, o juiz da 1ª Vara Criminal de Santa Maria, Ulysses Fonseca Louzada, decidiu dividir em duas partes o processo sobre o caso. Uma para os acusados de homicídio e outra para os acusados de fraude de processual e falso testemunho. Ele confirmou que mais uma reconstituição do incidente deve ocorrer nos próximos dias, assim que o Instituto Geral de Perícias (IGP) confirmar que há segurança para isso no prédio atingido pelo fogo.
A tragédia
O incêndio na boate Kiss – que ficava na Rua dos Andradas, Centro de Santa Maria – começou por volta das 2h30min da madrugada de 27 de janeiro. O público participava de uma festa organizada por estudantes da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). A tragédia deixou 242 pessoas mortas.
Segundo testemunhas, o fogo teria começado quando um dos integrantes da banda Gurizada Fandangueira, que acabara de subir ao palco, lançou um sinalizador. O objeto teria encostado na forração da casa noturna. As pessoas não teriam percebido o fogo de imediato, mas assim que o incêndio se espalhou, a correria teve início. Conforme relatos, os extintores posicionados na frente do palco não funcionaram.
Em pânico, muitos não conseguiram encontrar a única porta de saída do local e correram para os banheiros. Aqueles que conseguiram fugir em direção à saída, ficaram presos nos corrimãos usados para organizar as filas. A boate foi tomada por uma fumaça preta e as pessoas não conseguiam enxergar nada. A maioria morreu asfixiada dentro dos banheiros ou na parte dos fundos da boate.