Uma vistoria prévia na boate, realizada pelo Centro de Referência em Saúde do Trabalhador, constatou que existem mais de 200 produtos químicos tóxicos - alguns cancerígenos - que foram identificados em laudos.
A Justiça enviou uma correspondência à prefeitura para determinar a limpeza do interior onde funcionava a casa noturna, mas até às 18h o ofício não teria chegado no Centro Administrativo, segundo informação da assessoria de imprensa. A vistoria, prevista para esta sexta-feira, partiu da Econn Empreendimentos de Turismo e Hotelaria, proprietária do imóvel.
A tragédia
O incêndio na boate Kiss – que ficava na Rua dos Andradas, Centro de Santa Maria – começou por volta das 2h30min da madrugada de 27 de janeiro. Dos jovens que participavam de uma festa organizada por estudantes da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), 242 morreram em decorrência do fogo.
Segundo testemunhas, o fogo teria começado quando um dos integrantes da banda Gurizada Fandangueira, que acabara de subir ao palco, lançou um sinalizador. O objeto teria encostado na forração da casa noturna. As pessoas não teriam percebido o fogo de imediato, mas assim que o incêndio se espalhou, a correria teve início. Conforme relatos, os extintores posicionados na frente do palco não funcionaram.
Em pânico, muitos não conseguiram encontrar a única porta de saída do local e correram para os banheiros. Aqueles que conseguiram fugir em direção à saída, ficaram presos nos corrimãos usados para organizar as filas. A boate foi tomada por uma fumaça preta e as pessoas não conseguiam enxergar nada. A maioria morreu asfixiada dentro dos banheiros ou na parte dos fundos da boate.