Após a citação, está aberto o prazo para os militares apresentem suas defesas escritas. Nenhum dos bombeiros falou com a imprensa. Segundo o capitão Alex da Rocha Camillo, trata-se de uma orientação do Comando-Geral da Brigada Militar (BM). Apenas os advogados devem se manifestar.
Em agosto, o MP formalizou a denúncia. Conforme o órgão, cinco bombeiros responderão por inobservância da lei, enquanto os outros por falsidade ideológica. Segundo o promotor Joel Oliveira Dutra, os militares denunciados não podem ser responsabilizados pelas 242 mortes. No final do mês, a Justiça aceitou a denúncia.
Mais cedo, durante depoimento no Fórum de Santa Maria, Rute Brilhante da Cruz, que trabalhava como segurança na boate Kiss, afirmou ao titular da 1ª Vara Criminal da cidade, Ulysses Fonseca Louzada, responsável pelo processo criminal sobre a tragédia na casa noturna, que jamais recebeu qualquer tipo de treinamento para situações de emergência, como manusear extintores ou conter tumultos. Em janeiro deste ano, o incêndio no estabelecimento causou a morte de 242 pessoas.
A tragédia
O incêndio na boate Kiss – que ficava na Rua dos Andradas, Centro de Santa Maria – começou por volta das 2h30min da madrugada de 27 de janeiro. Dos jovens que participavam de uma festa organizada por estudantes da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), 242 morreram em decorrência do fogo.
Segundo testemunhas, o fogo teria começado quando um dos integrantes da banda Gurizada Fandangueira, que acabara de subir ao palco, lançou um sinalizador. O objeto teria encostado na forração da casa noturna. As pessoas não teriam percebido o fogo de imediato, mas assim que o incêndio se espalhou, a correria teve início. Conforme relatos, os extintores posicionados na frente do palco não funcionaram.
Em pânico, muitos não conseguiram encontrar a única porta de saída do local e correram para os banheiros. Aqueles que conseguiram fugir em direção à saída, ficaram presos nos corrimãos usados para organizar as filas. A boate foi tomada por uma fumaça preta e as pessoas não conseguiam enxergar nada. A maioria morreu asfixiada dentro dos banheiros ou na parte dos fundos da boate.