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Caravana da Anistia concede indenização a mais seis famílias gaúchas

Processos são relativos a perseguidos durante a ditadura militar

Diógenes foi membro da Vanguarda Popular Revolucionária (VPR)
Diógenes foi membro da Vanguarda Popular Revolucionária (VPR) Foto : Tarsila Pereira
A Caravana da Anistia, que julga processos de perseguidos políticos durante a ditadura militar, passou nesta sexta-feira pela sétima vez no Rio Grande do Sul. Seis processos e um recurso foram julgados favoráveis aos autores das ações. A indenização máxima paga pelo governo federal é de R$ 100 mil, com possibilidade de exceções — uma das indenizações concedidas ultrapassou R$ 300 mil. As audiências ocorreram na Faculdade de Direito da PUCRS, em Porto Alegre.

De acordo com o presidente da Comissão de Anistia, Paulo Abrão, depois de o conceito ser compreendido como liberdade na luta pela redemocratização, hoje se vive um novo momento. “A anistia é compreendida como verdade e justiça não apenas para as vítimas, mas como direito de toda a sociedade”, disse.

O julgamento do processo de um anistiado segue o rito formal no qual o relator da comissão lê o processo e emite seu voto. Em seguida, os demais conselheiros declaram seu parecer favorável ou contrário. Quando aprovado, cabe ao presidente da Comissão de Anistia, em nome do Estado brasileiro, pedir desculpas à vítima ou para o familiar.

O primeiro processo julgado ontem foi um recurso da exilada Sandra Iglesias Macedo, que acompanhou o marido ao exílio em 1971, passando por Chile, Argentina, Bélgica e França. Ela teve aprovada sua indenização pelos oito anos e meio que teve de morar no exterior. “Entrei com a ação muito mais pelos meus filhos, que enfrentaram uma vida cigana quando pequenos.”

Também foram aprovados pedidos de anistia para Christopher Belchior Goulart – neto do ex-presidente João Goulart – Peter Ho Peng, Namir José Oliveira Bueno, Jorge Luiz Marron e David Guimarães Dib, filho de Samuel Dib, que foi para a ex-União Soviética evitar perseguições.

Viúva de Diógenes Sobrosa de Souza acompanha sessão

A viúva de Diógenes Sobrosa de Souza, Lia de Souza, acompanhou a sessão da Comissão da Anistia. Diógenes foi membro da Vanguarda Popular Revolucionária (VPR) e chegou a ser condenado à morte pela ditadura militar. A família receberá indenização e pedido formal de desculpas. Ele já foi homenageado com o nome de rua na Lomba do Pinheiro, na Capital.

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