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Casa noturna de Porto Alegre reabriu menos de 24h após interdição, diz promotor

Prazo incomum para o trâmite foi observado principalmente após caso da Kiss e aumento da fiscalização na Capital

Após o Ministério Público (MP) deflagrar uma operação de combate a corrupção na liberação de licenças para obras e reformas em empreendimentos imobiliários e casas noturnas em Porto Alegre, o promotor de Justiça Flávio Duarte, responsável pelas investigações, afirmou que em um dos casos uma boate da Capital foi reaberta menos de 24 horas após ser interditada em uma fiscalização da prefeitura, um prazo incomum para esse trâmite. “Ela (casa noturna) foi interditada, e em menos de 24 horas, em razão de extrema movimentação que os investigados fizeram, ela conseguiu ser liberada”, disse Duarte em entrevista à Rádio Guaíba nesta sexta-feira.

Segundo Flávio Duarte, o esquema ganhou força após o incêndio na boate Kiss, em janeiro deste ano, em Santa Maria, que matou 241 pessoas. Após a tragédia, diversas casas noturnas foram inspecionadas e interditadas por falhas nas condições de segurança. Com a intenção de agilizar a reabertura, os proprietários contratavam escritórios de arquitetura e engenharia que mantinham esquemas dentro da prefeitura. “Após a tragédia na boate Kiss, houve uma maior rigidez na fiscalização e propiciou que alguns empresários, se não arquitetos e engenheiros, começassem a procurar esses servidores pra agilizar vistorias, uma desinterdição, por exemplo”, explicou Duarte.

Durante a ação, cinco mandados de busca e apreensão foram cumpridos. Escritórios de engenharia e arquitetura, o setor de protocolos do prédio da Secretaria Municipal de Obras e Viação (Smov), e a casa de um bombeiro foram vistoriados. Sete funcionários públicos foram afastados.

O MP apurou que cem processos, aproximadamente, foram agilizados no período da investigação. Segundo o órgão, os servidores investigados por corrupção e tráfico de influência recebiam de R$ 75 a R$ 2 mil para facilitar a emissão de licenças para construção e reformas na Capital. Conforme o promotor, as propinas não eram pagas apenas para agilizar a liberação de alvarás de casas noturnas, mas para qualquer tipo de tramitação envolvendo o uso do solo na Prefeitura de Porto Alegre.

Na próxima semana, a Promotoria Especializada Criminal começará a tomar depoimentos de aproximadamente 30 pessoas, entre engenheiros, arquitetos e outros profissionais liberais. "Normalmente o foco é em relação a funcionários públicos. Mas a investigação sempre vai procurar quem pagava os servidores. A corrupção só existe porque alguém paga. As primeiras pessoas que serão ouvidas são arquitetos, engenheiros, e em alguns casos os responsáveis pelas casas noturnas", detalhou o promotor.

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