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Teve uma boataria, segundo um policial civil que preferiu não se identificar, que se espalhou através do Facebook. Uma pessoa postou um comentário e outros tantos fizeram comentários, como, por exemplo, dizendo que o menino apanhava em casa. "A Polícia vai atrás disso, mas, às vezes, é perda de tempo", disse o policial. Ele refere-se a narrativas, publicadas na rede social, de supostos casos de maus-tratos pelos quais o menino teria passado desde a morte da mãe, em 2010. A madrasta, Graciele, mudou-se para a casa do médico um mês após a morte de Odilaine Uglione, mãe do menino.
O Ministério Público também sente-se ferido com a boataria. Segundo a promotora Dinamárcia Maciel, é um caso cheio de meias verdades publicadas pela imprensa e na Internet. Todo dia, salientou ela, surge uma história diferente, que precisa ser desmentida ou justificada. "É algo que mexe comigo, porque criei um laço afetivo com o menino", desabafou a promotora de Infância e Juventude, que atendeu Bernardo, quando ele procurou o MP pela primeira vez, em novembro de 2013.
Segundo ela, logo na primeira vez que viu Bernardo, ele vestia bermudas, camiseta de manga curta e chinelos, não apresentando qualquer sinal de agressão física. "Os bracinhos dele eram limpos, branquinhos", disse, referindo-se à ausência de qualquer hematoma. Supostas agressões também teriam sido desmentidas pela família Petry, amiga dos Boldrini, que prestou depoimento na promotoria.
O deputado Marlon Santos, ouvidor da Assembleia Legislativa, desembarcou na manhã dessa segunda-feira em Três Passos. Ele fez questão de frisar que não está fazendo uma investigação paralela à da Polícia. O deputado, que já conversou com políticos e funcionários públicos, permanece na cidade até o meio-dia desta terça-feira. Ele pretende ouvir, pelo menos, mais três pessoas sobre o caso e repassar o que apurou para o presidente da AL.