As cinzas do vulcão chileno Puyehue Cordón-Caulle chegaram ao Rio Grande do Sul no final desse domingo, entre 21h e 22h, pelo Chuí. Imagens de satélite analisadas pela MetSul Meteorologia no começo da manhã desta segunda-feira mostravam que o material vulcânico em suspensão na atmosfera segue concentrado no Extremo Sul gaúcho, entre Chuí e Rio Grande.
Conforme o meteorologista Luiz Fernando Nachtigall, vento muito forte na Patagônia entre sexta e sábado carregou as cinzas depositadas no solo da região para o Norte. “Ao contrário do que se imagina, não houve uma nova erupção do vulcão chileno e sim vento de até 120 km/h na Patagônia que levantou toda a poeira vulcânica que estava no chão desde junho”, comentou o especialista. Com o deslocamento de uma massa de ar polar na região, as cinzas acabaram transportadas pelo vento para a região de Buenos Aires.
A nuvem de cinzas vulcânicas que atingiu Buenos Aires e Montevidéu ontem foi a mais densa a ter afetado a região do Prata desde a explosão do vulcão em junho. A visibilidade durante a tarde do domingo na capital argentina chegou a apenas 800 metros, afetando o tráfego aéreo com cancelamentos de mais de cem voos em Aeroparque e Ezeiza. Outras cidades da Argentina como Rosário e Córdoba também foram alcançadas pelas cinzas. No Sul e no Leste do Uruguai o céu ficou escuro e as operações no Aeroporto de Carrasco, de Montevidéu, também foram comprometidas.
Para a MetSul, a maior preocupação segue sendo a área do Prata, mas com tendência de melhora. A visibilidade nesta manhã em Buenos Aires e Montevidéu já era muito maior do que no domingo e a concentração de cinzas bastante inferior, o que pode permitir que os voos sejam gradualmente retomados entre hoje e amanhã. “A recomendação para quem tem viagem marcada para Argentina e Uruguai é procurar a companhia aérea porque as próximas horas ainda devem ser de transtornos no tráfego aéreo do Prata”, aconselhou o meteorologista Luiz Fernando Nachtigall.
Neblina fechou o aeroporto Salgado Filho
O Aeroporto Internacional Salgado Filho ficou quase três horas fechado nesta segunda-feira, devido à falta de visualização provocada pela densa neblina na Capital. Às 7h, o terminal voltou a realizar decolagens e uma hora mais tarde, partidas. As operações ocorrem por instrumentos. Desde as 5h20min, quando as viagens ficaram interrompidas, cinco voos foram cancelados (três de chegada e dois de partida). O número de atrasos chegou a 14.