Entre outras alterações, existe ainda a possibilidade de abolir o "u" de dígrafos como "gue e que", em termos como "guerra" e "guitarra". Conforme Miranda, as alterações serão debatidas em videoconferências com professores do Brasil e de países lusófonos, como Portugal e Angola. Com a novidade proposta, "um xow de gitarra, oje, seria anunsiado asim". Vale lembrar que, ainda faltaria um longo processo para chegarmos à possibilidade de escrever corretamente dessa forma. Caso aprovado pela CE, o projeto precisaria da aprovação da Comissão de Constituição e Justiça e de mais uma comissão específica. Posteriormente, iria a plenário, com o presidente da Casa definindo o momento adequado da votação e, caso aprovada, seguiria para a Câmara dos Deputados para mais uma votação.
O professor de Língua Portuguesa Elson Ferreira é contra as mudanças sugeridas pelo projeto. Segundo ele, a última reforma ortográfica foi para facilitar a comunicação entre os países que falam português, e não tornar o idioma mais simples. "Essas mudanças são muito radicais. Não se deve nivelar por baixo, mas fazer as pessoas estudarem mais a língua", afirmou.
A vice-presidente da comissão, senadora Ana Amélia Lemos, declarou que o projeto se faz necessário, pois há muitas divergências em relação ao último acordo ortográfico. Ela não deixou claro se concorda com as alterações, mas que busca o debate. "Na época da primeira reforma, sequer foi feita uma consulta aos professores para a mudança da ortografia", alegou.
Sob a coordenação dos professores de Língua Portuguesa Ernani Pimentel e Pasquale Cipro Neto, o grupo técnico de trabalho tem buscado as sugestões de alterações gramaticais com profissionais da área no Brasil e nos demais países de língua portuguesa, por meio do site Simplificando a Ortografia.
Segundo Pimentel, o objetivo é criar um sistema no qual se tenha o menor número de regras e de exceções, que seria mais econômico para a educação, pois ensinaria a língua portuguesa em menos tempo e de forma mais eficaz, sem necessidade de decorar.