Interditado nessa sexta pela Justiça do Trabalho, o principal complexo operacional dos Correios no Rio Grande do Sul manteve-se em funcionamento, na avenida Sertório, zona Norte de Porto Alegre. No noite de ontem, a empresa conseguiu reverter a ação no Tribunal Regional do Trabalho (TRT), que cassou a interdição. Em nota, os Correios alegam não haver “qualquer situação que possa vir a colocar em risco a integridade física dos empregados”.
O juiz da 5ª Vara do Trabalho, Jorge Alberto Araújo, que assinou o mandado de fechamento do complexo, explicou que o fiscal do trabalho lavrou 14 autos de infração ao visitar os prédios dos Correios. “O que mais me preocupou foi a questão relacionada a incêndio. Faltam equipamentos, como extintores, há fios desencapados que podem ocasionar choques elétricos, fios soltos no piso, faltam equipamentos de proteção individual”, enumerou. “Choca-me por se tratar de uma estatal. Como o Estado vai exigir que um particular observe as normas trabalhistas, se ele próprio, por meio dos Correios, não faz isso?”, questionou. O juiz Araújo lembrou ainda que, em uma audiência anterior, a direção dos Correios não demonstrou interesse em corrigir os problemas identificados nos prédios.
De acordo com o Sindicato dos Trabalhadores em Correios e Telégrafos (Sintect/RS), atuam na unidade cerca de 600 servidores, em três turnos. O diretor do sindicato, João Carlos Farias, disse que o sucateamento não se restringe à unidade da Sertório. “São vários problemas em muitos prédios dos Correios. Os trabalhadores estão indignados.” O delegado sindical Carlos Alberto Duarte trabalha há 12 anos no endereço e garante nunca ter visto nenhum tipo de reforma. “Não é de hoje a precariedade. Já levamos a nossa preocupação inúmeras vezes para a direção”, garantiu.
Com o mandado de interdição desrespeitado durante a sexta-feira, a empresa teria que arcar com a multa diária de R$ 150 mil. Essa situação será discutida posteriormente.
Correios reverte ordem de interdição em Porto Alegre
Estatal garante que prédio na Sertório não oferece risco a trabalhadores