Outro problema grave identificado pelo Cremers foi a falta de equipes médicas. Segundo Matos, há somente uma equipe para atender todos os cinco mil presos, quase sete vezes menos que o recomendado. A Prefeitura de Porto Alegre, com verbas do governo federal, é responsável pelo atendimento de saúde no Presídio Central.
Além do Cremers, a vistoria contou com a presença de representantes da Associação dos Juízes (Ajuris) e do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (Crea). O responsável pela fiscalização mdas casas prisionais do estado, juiz Sidinei Brzusca, acompanhou a visita, que foi solicitada pela Organização dos Estados Americanos (OEA), entidade que recebeu denúncias sobre as condições do presídio ainda em 2012.
Fezes a céu aberto
O representante da Ajuris na visita, Paulo Augusto Irion, afirma que a situação é caótica. "Exceto a cozinha, segue o restante dos problemas que nós havíamos apontado da outra vez, como o esgoto a céu aberto, fezes no pátio onde eles recebem as visitas. A situação segue caótica. Nos deparamos também com muitos ratos", detalhou o juiz.
Irion acrescenta que a atual condição do Presídio Central desrespeita completamente as leis de Execução Penal e a própria Constituição Federal. Além disso, impede a reinserção dos detentos na sociedade. "Infelizmente em uma casa prisional como esta o aprisionamento se torna um mero castigo, e esquecer o objetivo de ressocialização", finalizou o juiz.