Decreto que permite retomada do setor de eventos ainda é "tímido", avaliam empresários

Decreto que permite retomada do setor de eventos ainda é "tímido", avaliam empresários

Decisão da prefeitura de permitir funcionamento de cinemas, teatros, entre outros, despertou o otimismo e a prudência de envolvidos

Felipe Samuel

Prefeitura permitiu funcionamento de casas de shows

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A decisão da Prefeitura de Porto Alegre de permitir o funcionamento de cinemas, teatros, auditórios, casas de espetáculos, casas de shows, circos e similares com equipes reduzidas e restrição ao número de espectadores simultâneos é considerada o primeiro passo para a retomada das atividades na Capital. Mesmo assim, no momento em que as internações nos hospitais por conta do novo coronavírus apresentam estabilidade, empresários e representantes da classe artística receberam a notícia com misto de prudência e otimismo.

Eventos corporativos, como reuniões, conferências, congressos, entre outros, são algumas das atividades que voltam a ter permissão para serem realizadas, desde que obedeçam limite máximo de 250 participantes simultâneos e exclusivamente sentados, entre outras medidas. Proprietário da Duetto Eventos, Roberto Rimoli afirma que a decisão da prefeitura já era aguardada há algum tempo e aponta para o começo da retomada das atividades. Apesar de representar o primeiro passo para o reinício dos eventos, Rimoli observa que mesmo assim a medida 'nem de longe é o que a gente precisa'. 

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Acostumada a produzir eventos corporativos e promocionais, a empresa ainda avalia como voltar a operar diante de limitações de público e aumento dos custos para cumprir protocolos sanitários. Ele aponta ainda dificuldade para conseguir clientes dispostos a investir recursos em eventos com pouca gente. "Nosso mercado tem vários níveis. As empresas pequenas estão conseguindo fazer alguma coisas, o que representa um refresco de alguma fatia do setor. Nós estamos nos preparando para o ano que vem", completa. 

Além de acompanhar as próximas decisões dos governos municipal e estadual, Rimoli destaca que o setor já está habituado a produzir eventos com base em protocolos. "Quem faz eventos profissionalmente, sempre trabalhou com protocolos de segurança", observa. Sócio da Opinião Produtora e um dos líderes do movimento Live Marketing RS, Rodrigo Machado reforça o sentimento de prudência e otimismo com a decisão. Embora avalie o novo decreto como um 'primeiro passo tímido', ele garante que a ideia é solicitar protocolo específico para casas de shows como o auditório Araújo Vianna, administrado pela produtora.

Abertura inviável 

Conforme Machado, a abertura do local com apenas 30% da capacidade se torna inviável frente aos custos. "É como se tirassem 70% de receita. Com 30%, o Araújo continua do jeito que está", argumenta, destacando que outras casas de shows, com custos menores, podem abrir com limite de 250 pessoas. Se a prefeitura permitir a realização de eventos no local com limite de 50% - equivalente a 1,5 mil pessoas - a ideia é retomar as atividades em 16 de novembro. "Algumas produtoras vão ter que certificar os locais em que vão fazer shows, como se fosse 'alvará provisório pandêmico'", assinala. 

O Movimento Tradicionalista Gaúcho (MTG) também sentiu os efeitos da pandemia do novo coronavírus. Vice-presidente Administrativo e Financeiro do MTG e adido cultural do RS, César Oliveira alerta que tudo ainda 'é muito novo' no que diz respeito à Covid-19. Ele observa que apesar da liberação para diversos segmentos, as peculiaridades de cada local e o público devem ser levados em conta na hora de definir pela reabertura dos eventos. "Ainda é tudo muito recente, precisa ser estudado, saber se as pessoas desejam ir aos locais. Como músico, não exigir que os eventos voltem ao normal. Se meu filho não pode ir para escola, como posso pedir evento", questiona.

Com os CTGs fechados há sete meses, Oliveira reconhece que muitos artistas enfrentam dificuldades. "Eles precisam de atividades para gerar renda para se sustentar. Para que os CTGs consigam tentar restabelecer essa rotina, fica difícil financeiramente, com a necessidade de equipamentos de proteção individual (EPIs)", completa. Embora admita que o ambiente do tradicionalismo gaúcho seja marcado pela disciplina e responsabilidade, ele frisa que bailes e eventos musicais precisam ser realizados com máximo de segurança. "Acho inseguro qualquer retorno, só se tiver conscientização e disciplina, o que a gente não está vendo publicamente com a população", conclui.


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