Diversos municípios tiveram casas destelhadas, árvores e postes arrancados. Famílias precisaram sair de suas residências e procurar abrigo em moradias de parentes e amigos. Milhares ficaram sem energia elétrica. Os municípios que encaminharam decretos foram Bozano, Palmeira dos Missões, Porto Lucena, Porto Xavier, Santo Cristo, Viamão, Panambi, Santo Augusto e Boa Vista do Cadeado.
As NoPreds foram recebidas de Alegria, Cerro Grande do Sul, Constantina, Colorado, Giruá, Itapuca, Não-Me-Toque, Porto Vera Cruz, Santa Rosa, Sarandi, Arvorezinha, Sertão Santana, São Jerônimo, Sentinela do Sul, Soledade, Inhacorá, Mormaço e Tapera. O NoPred antecede o decreto oficial de situação de emergência. A partir disso, o órgão pode conceder ajuda humanitária aos municípios. “No primeiro momento, vamos ajudar as famílias atingidas com a distribuição de telhas e cestas básicas”, detalha o tenente-coronel Paulo Locatelli, da Defesa Civil.
Segundo ele, o fenômeno atingiu com mais intensidade a região Noroeste. Uma equipe da Defesa Civil vai analisar de perto os estragos provocados nas cidades afetadas. “Nós sabíamos que teríamos esse fenômeno e avisamos as unidades de Defesa Civil, Corpo de Bombeiros e prefeituras para que se preparassem para isso. Ainda durante a madrugada, enviamos lonas para amenizar os problemas”, completa Locatelli.
Em Porto Lucena, no Noroeste, houve queda de granizo, que danificou cerca de 2,5 mil casas, incluindo a sede da prefeitura. mesma região, em Santo Cristo, chegou a 2 mil o número de residências afetadas. As aulas no município foram canceladas e só devem ser retomadas na segunda-feira. O governador Tarso Genro deve ir até a região na sexta-feira para verificar os estragos e as ações de recuperação.
Ainda no Noroeste, pelo menos 200 casas foram atingidas pelo vento e granizo em Santa Rosa. A Defesa Civil já distribuiu 12 mil metros de lona aos moradores. Em Ernestina, mais de 200 casas foram destelhadas, grandes árvores foram arrancadas e mais de 40 postes de luz caíram nas ruas. O reservatório de água do município caiu de uma altura de 30 metros, por isso a população está sem o serviço. A luz foi cortada e a telefonia não está funcionando. O posto de saúde municipal também está interditado, porque foi completamente destelhado.
Temporal deixa um morto e dois desaparecidos
Segundo a MetSul Meteorologia, as áreas mais atingidas pela ventania são as Metades Sul e Leste. Em Canguçu, as rajadas chegaram a 108 km/h, as mais fortes do Estado até o momento. O vento superou 100 km/h ainda em Bagé e Rio Grande. Em Porto Alegre e cidades da Região Metropolitana, os ventos chegaram aos 80 km/h, mas ainda podem se intensificar ainda mais nas próximas horas.
A ventania deixa um saldo de um morto e duas pessoas desaparecidas. Em Torres, no Litoral Norte, um jovem, de 17 anos, desapareceu depois que o barco em que ele estava com outros oito homens no Rio Mampituba virou com a força dos ventos. O pai do adolescente trabalhava com a tripulação. A embarcação estava ancorada há cerca de três quilômetros da beira-mar. Ela foi encontrada a cerca de 15 quilômetros do local. O Corpo de Bombeiros segue as buscas pelo desaparecido.
Em São Borja, na Fronteira Oeste, um homem, de 42 anos, que realizava manutenção na ponte que liga o município à Argentina caiu nas águas do rio Uruguai e segue desaparecido. Ele despencou de uma altura de cerca de 15 metros. Além dos bombeiros, militares do Exército da cidade estão colaborando nas buscas com dois botes.
Já a morte ocorreu em Espumoso, no Norte do Estado. Um homem, de 38 anos, morreu enquanto tentava consertar o telhado da vidraçaria do qual era proprietário. A estrutura havia sido danificada pelo temporal. De acordo com a Defesa Civil, o telhado molhado e a ventania podem ter facilitado a queda da vítima. Esta foi a primeira morte confirmada em razão dos temporais dos últimos dias no Rio Grande do Sul.
Em Cachoeirinha, na Região Metropolitana, ruas ficaram alagadas em Cachoeirinha e 40 famílias tiveram de ser retiradas de casa no bairro Olaria, às margens do rio Gravataí. Elas foram encaminhadas para a Casa de Cultura Municipal. O secretário de Habitanção, André Lima, ressaltou que é um problema isolado e que os moradores devem retornar para as residências em breve. Eles serão deslocados para o condomínio Chico Mendes, que está em construção e deve ser finalizado até novembro, conforme Lima.