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Defesa Civil contabiliza estragos causados pela ventania no RS

Pelo menos 18 cidades gaúchas assinaram Notificação Preliminar de Desastre

Forte vento provocou ondas no Guaíba, em Porto Alegre
Forte vento provocou ondas no Guaíba, em Porto Alegre Foto : Fabiano do Amaral
A Defesa Civil do Rio Grande do Sul contabiliza os estragos provocados pelos efeitos do ciclone extratropical que se formou no Rio da Prata nesta quarta-feira. Após a forte de chuva de terça, as rajadas, que superaram os 100km/h, deixaram um rastro de destruição no Estado. Nove decretos de situação de emergência foram recebidos e 18 Notificações Preliminares de Desastre (NoPreds) em razão dos temporais e chuvas de granizo dos últimos dias.

Diversos municípios tiveram casas destelhadas, árvores e postes arrancados. Famílias precisaram sair de suas residências e procurar abrigo em moradias de parentes e amigos. Milhares ficaram sem energia elétrica. Os municípios que encaminharam decretos foram Bozano, Palmeira dos Missões, Porto Lucena, Porto Xavier, Santo Cristo, Viamão, Panambi, Santo Augusto e Boa Vista do Cadeado.

As NoPreds foram recebidas de Alegria, Cerro Grande do Sul, Constantina, Colorado, Giruá, Itapuca, Não-Me-Toque, Porto Vera Cruz, Santa Rosa, Sarandi, Arvorezinha, Sertão Santana, São Jerônimo, Sentinela do Sul, Soledade, Inhacorá, Mormaço e Tapera. O NoPred antecede o decreto oficial de situação de emergência. A partir disso, o órgão pode conceder ajuda humanitária aos municípios. “No primeiro momento, vamos ajudar as famílias atingidas com a distribuição de telhas e cestas básicas”, detalha o tenente-coronel Paulo Locatelli, da Defesa Civil.

Segundo ele, o fenômeno atingiu com mais intensidade a região Noroeste. Uma equipe da Defesa Civil vai analisar de perto os estragos provocados nas cidades afetadas. “Nós sabíamos que teríamos esse fenômeno e avisamos as unidades de Defesa Civil, Corpo de Bombeiros e prefeituras para que se preparassem para isso. Ainda durante a madrugada, enviamos lonas para amenizar os problemas”, completa Locatelli.

Em Porto Lucena, no Noroeste, houve queda de granizo, que danificou cerca de 2,5 mil casas, incluindo a sede da prefeitura. mesma região, em Santo Cristo, chegou a 2 mil o número de residências afetadas. As aulas no município foram canceladas e só devem ser retomadas na segunda-feira. O governador Tarso Genro deve ir até a região na sexta-feira para verificar os estragos e as ações de recuperação.

Ainda no Noroeste, pelo menos 200 casas foram atingidas pelo vento e granizo em Santa Rosa. A Defesa Civil já distribuiu 12 mil metros de lona aos moradores. Em Ernestina, mais de 200 casas foram destelhadas, grandes árvores foram arrancadas e mais de 40 postes de luz caíram nas ruas. O reservatório de água do município caiu de uma altura de 30 metros, por isso a população está sem o serviço. A luz foi cortada e a telefonia não está funcionando. O posto de saúde municipal também está interditado, porque foi completamente destelhado.

Temporal deixa um morto e dois desaparecidos

Segundo a MetSul Meteorologia, as áreas mais atingidas pela ventania são as Metades Sul e Leste. Em Canguçu, as rajadas chegaram a 108 km/h, as mais fortes do Estado até o momento. O vento superou 100 km/h ainda em Bagé e Rio Grande. Em Porto Alegre e cidades da Região Metropolitana, os ventos chegaram aos 80 km/h, mas ainda podem se intensificar ainda mais nas próximas horas.

A ventania deixa um saldo de um morto e duas pessoas desaparecidas. Em Torres, no Litoral Norte, um jovem, de 17 anos, desapareceu depois que o barco em que ele estava com outros oito homens no Rio Mampituba virou com a força dos ventos. O pai do adolescente trabalhava com a tripulação. A embarcação estava ancorada há cerca de três quilômetros da beira-mar. Ela foi encontrada a cerca de 15 quilômetros do local. O Corpo de Bombeiros segue as buscas pelo desaparecido.

Em São Borja, na Fronteira Oeste, um homem, de 42 anos, que realizava manutenção na ponte que liga o município à Argentina caiu nas águas do rio Uruguai e segue desaparecido. Ele despencou de uma altura de cerca de 15 metros. Além dos bombeiros, militares do Exército da cidade estão colaborando nas buscas com dois botes.

Já a morte ocorreu em Espumoso, no Norte do Estado. Um homem, de 38 anos, morreu enquanto tentava consertar o telhado da vidraçaria do qual era proprietário. A estrutura havia sido danificada pelo temporal. De acordo com a Defesa Civil, o telhado molhado e a ventania podem ter facilitado a queda da vítima. Esta foi a primeira morte confirmada em razão dos temporais dos últimos dias no Rio Grande do Sul.

Em Cachoeirinha, na Região Metropolitana, ruas ficaram alagadas em Cachoeirinha e 40 famílias tiveram de ser retiradas de casa no bairro Olaria, às margens do rio Gravataí. Elas foram encaminhadas para a Casa de Cultura Municipal. O secretário de Habitanção, André Lima, ressaltou que é um problema isolado e que os moradores devem retornar para as residências em breve. Eles serão deslocados para o condomínio Chico Mendes, que está em construção e deve ser finalizado até novembro, conforme Lima.


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