Juízes, promotores e procuradores se reuniram em frente ao Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul (TJRS), nesta quinta-feira, bloquearam a entrada principal do prédio e realizaram o ato “Um minuto pela democracia - em defesa do Judiciário e do Ministério Público”.
Os servidores protestaram contra as medidas aprovadas pela Câmara dos Deputados que, segundo eles, enfraquecem a independência e a autonomia da categoria. A mobilização foi uma iniciativa da Associação dos Juízes do Rio Grande do Sul (Ajuris) e contou com a parceria da Associação do Ministério Público do Rio Grande do Sul (AMP/RS) e de outras associações da categoria.
“Não vão nos calar na nossa luta contra a corrupção, na nossa atividade cotidiana. Não é só a Lava Jato, é toda a nossa atividade de combate à corrupção. Todos nós sabemos da pressão que querem fazer sobre nós, porque deferimos liminares que não são ao gosto de quem está no poder”, disse o presidente da Ajuris, Gilberto Schäfer, quando deu início ao ato.
“Nós estamos denunciando uma pauta de retaliação do Congresso Nacional que se efetivou na aprovação destas medidas”, explicou Schäfer, reforçando que a luta dos juízes, promotores e procuradores é também uma luta do povo. “Porque o povo tem direito a uma sociedade democrática e justa como está na Constituição e nós esperamos que os recursos para isso não sejam surrupiados ilegitimamente”, reforçou Schäfer, conclamando os colegas para um minuto de silêncio pela democracia.
O presidente da AMP/RS, Sérgio Hiane Harris, disse que o que aconteceu na Câmara dos Deputados foi um atentado à democracia brasileira. “Isso é muito grave. Não vamos nos entregar. O projeto foi transformado em um pacote a favor da corrupção”, salientou Hiane. Para o diretor de prerrogativas da Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe), Marcel Citro de Azevedo, a categoria precisa se unir para não deixar o projeto seguir. “Contamos com o bom senso do Senado, porque precisamos de um avanço civilizatório e não de um retrocesso”, destacou Azevedo.
Conforme o presidente da Associação dos Magistrados da Justiça do Trabalho da IV Região (Amatra IV), Rodrigo Trindade, é um absurdo que o projeto tenha sido votado na madrugada em que toda a América Latina estava abalada com a tragédia que vitimou a Chapecoense. “Só estamos pedindo uma coisa: deixem-nos trabalhar. Precisamos denunciar estes ataques à crescente atuação do Poder Judiciário”, reforçou Trindade. “Todos nós juramos defender a Constituição. E vamos, a qualquer custo. Resistiremos”, concluiu o presidente em exercício do TJRS, desembargador Carlos Eduardo Zietlow Duro.
Defesa do Judiciário e MP realizam ato contra as medidas aprovadas pela Câmara dos Deputados
Manifestação ocorreu em frente ao Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul nesta quinta