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Delegado não gosta de recordar dos momentos que viveu na Kiss

Marcelo Arigony coordenou inquérito da tragédia de Santa Maria

Arigony não gosta de lembrar da imagem que presenciou na Kiss
Arigony não gosta de lembrar da imagem que presenciou na Kiss Foto : Paulo Nunes
O delegado regional de Polícia Civil, Marcelo Arigony, que coordenou o inquérito do incêndio da boate Kiss, que causou a morte de 242 pessoas, afirmou que não gosta de lembrar do que presenciou na casa noturna de Santa Maria, na madrugada de 27 de janeiro de 2013.

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Arigony relatou que, mesmo depois de dois anos, ainda permanece na mente a cena dos corpos caídos em todos os setores da boate. O policial recordou que foi acordado às 3h e chegou ao local às 5h. Ele percorreu todos os cantos da danceteria. 
 
Sobre a investigação que coordenou para apontar os responsáveis pela tragédia, Arigony destacou que foi um trabalho de investigação transparente e que o processo, hoje dividido em seis parte diferentes, está nas mãos da Justiça. "O trabalho que realizamos contou com uma equipe de cinco delegados e cerca de 30 agentes que se dedicaram e realizaram um trabalho com competência e transparência", explicou. 

O delegado negou que o trabalho da Polícia Civil na época tenha tido conotação política. O movimento Santa Maria do Luto à Luta, integrado por familiares e amigos das vítimas da tragédia, realiza uma campanha para que Arigony permaneça à frente da delegacia regional. Ele apenas salienta que a decisão depende de quem está em uma esfera superior.

A tragédia

O incêndio na boate Kiss – que ficava na Rua dos Andradas, Centro de Santa Maria – começou por volta das 2h30min da madrugada de 27 de janeiro de 2013. Dos jovens que participavam de uma festa organizada por estudantes da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), 242 morreram em decorrência do fogo.

Segundo testemunhas, o fogo teria começado quando um dos integrantes da banda Gurizada Fandangueira, que acabara de subir ao palco, lançou um sinalizador. O objeto teria encostado na forração da casa noturna. As pessoas não teriam percebido o fogo de imediato, mas assim que o incêndio se espalhou, a correria teve início. Conforme relatos, os extintores posicionados na frente do palco não funcionaram.

Em pânico, muitos não conseguiram encontrar a única porta de saída do local e correram para os banheiros. Aqueles que conseguiram fugir em direção à saída, ficaram presos nos corrimãos usados para organizar as filas. A boate foi tomada por uma fumaça preta e as pessoas não conseguiam enxergar nada. A maioria morreu asfixiada dentro dos banheiros ou na parte dos fundos da boate.