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Deputado que alterou lei de incêndio depõe em Santa Maria

Adão Villaverde comparou avanços na regulamentação no comparativo com normas anteriores

O deputado estadual Adão Villaverde (PT), que liderou os debates sobre a alteração da lei estadual de incêndio, a chamada Lei Kiss, depôs em Santa Maria, na tarde desta sexta-feira. A oitiva começou com uma hora e meia de atraso devido à audiência do delegado Marcelo Arigony, que durou cerca de quatro horas e só terminou à tarde. O relato de Villaverde se encerrou s 17h, com destaque para as comparações entre as leis vigentes antes e depois da tragédia, que matou 242 pessoas em janeiro de 2013.

O parlamentar destacou que a legislação anterior não tinha a clareza e o rigor que a atual, regulamentada recentemente. Engenheiro e ex-presidente do Conselho Regional de Engenharia e Arquietetura do RS, Villaverde citou pontos divergentes do texto antigo, como a validade do Alvará de Prevenção e Proteção contra Incêndio e a possibilidade de o Corpo de Bombeiros contratar engenheiros civis para avaliação técnica.

Ele também salientou a falta de controle de lotação de público e a realização de espetáculos pirotécnicos sem autorização, que a norma anterior permitia. Villaverde reiterou que um conjunto de ações de risco contribuiu para o incêndio na boate Kiss e disse compreender caso entidades públicas venham a ser penalizadas, já que não houve fiscalização adequada. Ele disse, ainda, discordar com as alterações sofridas pela Kiss no mês passado. Emendas flexibilizaram obrigações, especialmente no que se refere à ampliação, de 750 para 1,5 mil metros quadrados, da área mínima para uso de PPCI simplificado. Villaverde afirmou que houve pressão de empresários, com interesses econômicos, para abrandar o texto original.

Comandante

Após o depoimento de Villaverde, foi a vez de o tenente-coronel Luiz Marcelo Maya, comandante do 4º Comando Regional de Bombeiros, falar à Justiça. O militar contou que chegou a Santa Maria dois meses após o incêndio, oriundo de Santa Cruz do Sul. O oficial lembrou ter encontrado 2 mil pedidos de vistoria pendentes, e montado uma força-tarefa. Ele fala que, em em dois meses, parte das demandas tiveram tramitação concluída.

Maya frisou, ainda, que, até agosto de 2012, cinco meses antes da tragédia, o alvará da Kiss permanecia válido. Informou, também, que não conhece nenhum fato que desabone a conduta do tenente-coronel Moisés Fuchs, do major Gerson da Rosa Pereira e do capitão Alex da Rocha Camilo, que eram lotados no Comando de Santa Maria à época do incêndio e que foram investigados pela Polícia.

Sobre o fato de o prédio que era usado pela boate Kiss ter apenas uma porta, o oficial explicou que a exigência varia, conforme o tamanho e a dimensão do acesso. No inquérito, a Polícia sustenta que foi um erro dos Bombeiros não exigir mais uma alternativa de saída. Já em relação à atuação dos militares no dia do incêndio, ele informou que, inicialmente, 11 bombeiros atenderam a ocorrência e não se preocuparam em afastar civis, mas em atender às vítimas do fogo. Ao fim da audiência, o juiz Ulysses Louzada marcou a oitiva do delegado Sandro Meinerz, que depõe na tarde de 23 de abril.