Empreendedores enfrentam clientela escassa após retomar food parks em Porto Alegre

Empreendedores enfrentam clientela escassa após retomar food parks em Porto Alegre

De acordo com a Associação Gaúcha de Gastronomia Itinerante, Capital tem apenas 12 filiados frente a 43 existentes antes da pandemia

Gabriel Guedes

Food trucks ainda estão enfrentando dificuldades em Porto Alegre

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Os food trucks, que desde a segunda quinzena do mês de outubro já podem voltar a trabalhar juntos, no formato de food park, ainda estão enfrentando dificuldades. A Associação Gaúcha de Gastronomia Itinerante do Rio Grande do Sul (AGIRS), que representa empresários do setor, contabiliza uma redução drástica no segmento. Nem mesmo a participação em eventos tem sido o suficiente. Embora um decreto municipal tenha permitido estacionarem os restaurantes móveis em conjunto em locais como na orla do Guaíba e no Parque da Redenção, os proprietários ressentem a presença dos clientes.

O presidente da AGIRS, Neno Gutterres avalia que a situação agora é melhor do que àquela no auge da pandemia, quando as atividades estavam completamente paradas. “Está voltando muito lentamente. A economia está bastante combalida. Já conseguimos colocar food trucks na orla do Guaíba. Mas de 43 filiados que a gente tinha em Porto Alegre, agora são só 12. É uma retração bem grande”, descreve.

Gutterres diz que junto com a retomada, vieram também os custos, já que os preços dos alimentos aumentaram bastante. Mas como alguns empreendedores estão com dificuldades, a associação tem tentado ajudar de alguma forma. “No Brique, a gente está se revezando na ajuda. Sempre tem um truck convidado que acaba recebendo uma quantidade de carne, por exemplo. Depois este paga e o dinheiro é utilizado para outro empreendedor que precisa de ajuda”, explica o presidente da entidade.

Nem mesmo o food truck de uma das mais tradicionais lanchonetes de Porto Alegre tem tido facilidade. O Mek Aurio, que existe desde 1985 e opera exclusivamente de forma itinerante desde 2015. Segundo o empresário Aurio Giovanella, 54, as vendas correspondem a 50% do volume no mesmo período do ano passado.

"Ficamos fechados 66 dias. Depois a gente estava trabalhando com o pegue-leve. Mas ainda tá bem reduzido o público”, lamenta o proprietário do estabelecimento que fica estacionado sob o viaduto D. Pedro I, no Praia de Belas. Além das vendas reduzidas, ele diminuiu o funcionamento duas horas e agora trabalha com três funcionários e a ajuda esporádica da filha. Antes da pandemia a equipe era formada por seis profissionais.

A Covid-19 também congelou os planos do chefe de cozinha Marcelo Rosa, 48. Após enfrentar dificuldades com a saúde da mãe em 2018, acabou paralisando as atividades de seu food truck, que servia massas, risotos, assados e petit porção. A ideia era ter recomeçado no início do ano, quando já tinha planejado pelo menos 19 eventos. Mas aí veio a pandemia.

“Foi praticamente tudo cancelado e desde 14 de março está parado e dali para a frente foi este caos que estamos vendo”, conta Rosa, que depois de passar um tempo estudando gastronomia na Europa, apostou na virada de 2016 para o ano de 2017 na operação itinerante para juntar dinheiro para montar seu próprio restaurante. “Eu observei como é difícil obter capital de giro. Por isso não consegui retomar neste ano”, conta. O veículo está estacionado na Avenida Filadélfia com a Rua General Couto de Magalhães.

Rosa passou bastante tempo fazendo também eventos corporativos. O que segundo Gutterres, é uma das alternativas para este momento de crise. Mas segundo ele, ainda vai demorar para ser como era. “Ontem (quinta-feira) teve um evento na Leroy Merlin que foi maravilhoso. Mas hoje a gente já não consegue vender 200 porções. Ninguém está chegando nestes patamares. Mas o importante é estamos operacionais em Porto Alegre. A tendência é normalizar na metade do ano que vem”, prevê. 


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