“Ocorreu uma reavaliação do governo do Estado em relação ao que tínhamos acertado pela manhã. Isso nos surpreendeu, porque já tivemos operações conjuntas, inclusive para auxiliar o Trensurb”, comentou, em entrevista à Rádio Guaíba na tarde desta segunda-feira. Conforme o presidente, a EPTC pretende interligar as linhas da Capital com as metropolitanas.
“Nosso objetivo comum sempre foi fazer uma integração total entre os dois sistemas. Que a população tenha todo o direito de usar qualquer um dos ônibus”, acrescentou Capellari. Um dos apontados pela Metroplan é que o cartão TRI não pode ser usado nos coletivos metropolitanos, cujo sistema é o TEU. “Os dois modelos são diferentes e eles não se conversam”, admitiu o presidente da EPTC.
A negociação do dissídio dos rodoviários é um assunto apenas das empresas de ônibus, ressaltou Capellari. Segundo ele, a EPTC não vai interferir na negociação e o rejuste não deverá incidir no valor da tarifa em 2014. “As empresas têm que assumir o papel e fazer o processo de renegociação. Não é possível atrelar nenhum tipo de reajuste em cima da tarifa. Já temos hoje uma série de interferências no preço da passagem”, explicou.
Efeitos da greve
Nesta tarde, a EPTC autorizou que lotações circulem nos corredores de ônibus. Objetivo é facilitar acessibilidade dos passageiros. Os seletivos também podem levar passageiros de pé dentro dos carros. Pela manhã, os rodoviários disponibilizaram apenas 30% da frota – menos de 450 coletivos. O número foi considerado insuficiente pela EPTC. Os rodoviários descartaram mudar o percentual. Táxis e caronas foram algumas das soluções encontradas pelos porto-alegrenses ao longo da manhã.
Uso de metropolitanos havia desagradado rodoviários
Em coletiva, os presidentes da Força Sindical, Claudio Janta, e do Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários do Estado, Julio Gamaliel, rejeitaram completamente a proposta e ameaçaram articular uma paralisação geral nos ônibus de toda a região Metropolitana. “Estamos cumprindo a nossa parte do acordo firmado no Ministério Público do Trabalho, que é o de colocar 30% da frota na rua”, afirmou Gamaliel.
O presidente da Força Sindical ressaltou que a legislação proibe que linhas de outras cidades transportem passageiros dentro da Capital. “Se eles fizerem isso estarão rompendo com o acordo e iremos devolver na mesma moeda”, afirmou. Segundo ele, a luta da categoria é legítima. Os profissionais querem reajuste de 14%, além da atualização do valor do vale refeição e a manutenção do plano de saúde. “Estamos à espera das empresas para negociar”, enfatizou o presidente do Sindicato dos trabalhadores.