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"Estados e municípios devem ter mais participação nas decisões federais", defende Gilmar Mendes

Em Porto Alegre, ministro do STF disse modelo federativo permite a pluralidade

Mendes falou sobre relação de estados com União
Mendes falou sobre relação de estados com União Foto : Pedro Revillion
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, defendeu nesta sexta-feira, no Ministério Público do Estado (MPE), em Porto Alegre, a necessidade de se discutir a renegociação da dívida dos estados com a União. Durante a palestra “Constituição de 88 e as Relações Federativas”, ele também avaliou que os governos estaduais poderiam ter mais participação na divisão das riquezas. “Através de um acordo político, em 1989, se manteve um critério de distribuição do Fundo de Participação dos Municípios que privilegia os estados do Norte e do Nordeste e uma pequena participação dos estados do Sul e do Sudeste”, observou.

Mendes lembrou que os entes da federação têm pouca autonomia para influir em temas que repercutem diretamente nos estados e municípios. Ele citou como exemplo o piso nacional para o magistério, considerado constitucional pelo STF, mas que boa parte dos estados não consegue implementar em decorrência de falta de dinheiro. “Os projetos acabam sendo aprovados, mas o debate se dá a posteriori. É preciso pensar em alguma coisa que vá para além de uma necessidade efetiva dos entes, que de alguma forma lhes afeta e tem um grave impacto”, explicou.

De acordo com Mendes, o modelo federativo permite a pluralidade. “Um país do tamanho do Brasil depende de uma engenharia federativa e a Constituição de 1988 optou por esse modelo”, lembrou. Questionado sobre o julgamento do caso do mensalão, o ministro disse que, se não ocorrer neste primeiro semestre, o assunto deverá ser avaliado somente em 2013.

Antes da explanação do ministro, o governador Tarso Genro afirmou que o País está passando pela consolidação do processo democrático. “É importante que esse tema seja discutido de maneira profunda”, ressaltou. “A dívida dos estados é um dos assuntos mais pertinentes hoje, mas também devemos falar sobre segurança e relações internacionais”, continuou.

O procurador-geral de Justiça Eduardo de Lima Veiga salientou que a União se tornou credora dos governos. “A cada ano que passa, os Estados honram a dívida, mas continuam devendo e ficam reféns da União, por causa de um acordo firmado no século passado”, disse.

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