Um protesto diferente em frente ao Palácio Piratini, na Praça da Matriz, chamou a atenção na manhã desta sexta-feira. Com um cartaz preso ao corpo, o estudante de Direito Francisco Ialá, natural de Guiné-Bissau (África), pedia encontro com o governador José Ivo Sartori, para tratar de um caso de racismo.
Segundo ele, foram escritas ofensas aos africanos no mural de uma Casa de Estudantes, localizada na rua Riachuelo. A frase foi reproduzida no cartaz que ele carregava com os dizeres: “Só pode ser um destes ‘macacos’ africanos para criticar o trabalho da diretoria da Casa do Estudante”. O fato ocorreu em 2013, porém, o processo nunca avançou junto aos órgãos de autoridade.
A Casa abrigava na época cerca de 50 pessoas, sendo parte de estudantes de fora do país, especialmente vindo da África. Recentemente, a Casa estudantil foi desativada e os alunos reacomodados em outros imóveis. “O que queremos é que haja uma apuração”, afirmou o estudante, que mora há 10 anos no Rio Grande do Sul. “Precisamos enfrentar o racismo e o preconceito. E não somente contra os africanos, mas também o que está ocorrendo com alguns imigrantes haitianos”, sentenciou.
Devido à agenda, o governador não pode recebê-lo. O chefe da Casa Civil, Márcio Biolchi, e o secretário de Justiça e Direitos Humanos, César Faccioli, tentaram dialogar com ele. No entanto, o africano optou por não ingressar no Palácio Piratini, permanece em protesto solitário nas imediações da Praça da Matriz.
Estudante protesta contra racismo em frente ao Palácio Piratini
Francisco Ialá, natural de Guiné-Bissau, pedia encontro com José Ivo Sartori