Geral

Falta de regulamentação no transporte contribui com fraude, diz MP

Substâncias como soda e água oxigenada eram usadas para reduzir o processo de envelhecimento da bebida

Substâncias como soda e água oxigenada eram usadas para reduzir o processo de envelhecimento da bebida
Substâncias como soda e água oxigenada eram usadas para reduzir o processo de envelhecimento da bebida Foto : Felipe Dorneles / Especial CP
A falta de regulamentação no transporte do leite tem contribuído para que aconteçam fraudes envolvendo o produto, afirmou o promotor de Justiça Especializada Criminal, Mauro Lucio da Cunha Rockenbach, que coordenou a operação Leite Compensado III do Ministério Público (MP), quando foi descoberto um novo caso de adulteração da bebida no Noroeste gaúcho. Em entrevista à Rádio Guaíba nesta quinta-feira, Rockenbach cobrou que o Ministério da Agricultura regulamente a atividade.

• Descoberta nova fraude no leite com uso de água oxigenada

“É uma situação que depende de uma regulamentação e isso deve partir do Ministério da Agricultura. Não sei por que não foram tomadas providências em relação a essa atividade. Há muito tempo o Ministério Público solicita que sejam previstos deveres, obrigações e sanções para esse tipo de atividade. Não sei por qual razão não se toma essa providência. Nós estranhamos essa demora para tomar providência de uma atividade importante na cadeia de leite”, declarou o promotor.

Já o delegado do Ministério da Agricultura no Estado, Francisco Signor, discorda de Mauro Rockenbach e diz que não há necessidade de regulamentação. Signor afirma que foi aumentado o controle sobre o leite nas indústrias e ressaltou que o Ministério Público sempre é avisado quando alguma adulteração é identificada.

“Não precisa nova regulamentação. Quem comete crime, é caso de polícia. O ministério tem a portaria 62 que trata de todo o processo do leite, desde a saúde dos animais até chegar ao consumidor. Depois das primeira e segunda etapas (da operação Leite Compensado), nós passamos a nos concentrar nas indústrias que produzem o leite de caixinha. O que está acontecendo nessa fraude é resultado do trabalho do Ministério da Agricultura. Depois de constatado, o problema foi passado ao MP. Pior seria se esse leite tivesse chegado ao consumidor sem que tivéssemos percebido a fraude”, afirmou.

Se não é suficiente para impedir que fraudes sejam cometidas, a fiscalização junto às indústria pode ter ao menos impedido o leite adulterado de chegar ao consumidor, admite o promotor. “A partir da segunda operação, as indústrias implantaram maior rigor na análise e também na comunicação ao MP e ao ministério da Agricultura sobre os transportadores que entregam leite com problema. Quando é detectada alguma irregularidade, o leite é devolvido. Por isso não temos como garantir que foi levado ao consumo," relatou Rockenbach.

Uma quarta fase da Leite Compensado já está em andamento. O promotor Mauro Rockenbach revela que o MP investiga novos casos envolvendo fraudes no leite. “Estamos trabalhando com alguns indicativos no mesmo sentido, em relação ao transporte do leite", afirmou.



Bookmark and Share