Durante a manifestação, o trânsito fo interrompido duas vezes de forma parcial e uma vez totalmente. Os motoristas que passaram pelo local receberam panfletos explicativos. O presidente da Associação de Familiares de Vítimas e Sobreviventes da Tragédia de Santa Maria, Adherbal Ferreira, diz que os atos são sendo ordeiros.
A liberação dos réus, segundo os desembargadores do TJ, ocorreu em virtude dos acusados não representarem riscos para o processo e para as vítimas e não há mais clamor social que justifique a prisão preventiva.
Na segunda-feira, o juiz da 1ª Vara Criminal de Santa Maria, Ulysses Fonseca Louzada, confirmou a divisão do processo sobre o caso. Segundo o magistrado, o processo fica dividido em duas partes: uma para os acusados de homicídio e outra para os acusados de fraude de processual e falso testemunho. Ele confirmou que uma nova reconstituição do incidente que vitimou 242 pessoas deverá ocorrer nos próximos dias.
CPI tem sessão tensa
Sob um um clima tenso, ocorreu nesta quarta-feira mais uma reunião da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Câmara de Vereadores que investiga as causas da tragédia da Kiss. No encontro, que teve protesto dos familiares das vitimas, foi definido de que os dois sócios da casa noturna e os dois integrantes da banda Gurizada Fandagueira não serão convocados para depor.
Também era esperada a confirmação da data para que o prefeito da cidade, Cezar Schirmer, comparecesse à CPI para depor, o que não ocorreu. Schirmer tem agenda marcada para a Espanha a partir do dia 10 de junho, próxima segunda-feira.
A tragédia
O incêndio na boate Kiss – que ficava na Rua dos Andradas, Centro de Santa Maria – começou por volta das 2h30min da madrugada de 27 de janeiro. O público participava de uma festa organizada por estudantes da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). A tragédia deixou 242 pessoas mortas.
Segundo testemunhas, o fogo teria começado quando um dos integrantes da banda Gurizada Fandangueira, que acabara de subir ao palco, lançou um sinalizador. O objeto teria encostado na forração da casa noturna. As pessoas não teriam percebido o fogo de imediato, mas assim que o incêndio se espalhou, a correria teve início. Conforme relatos, os extintores posicionados na frente do palco não funcionaram.
Em pânico, muitos não conseguiram encontrar a única porta de saída do local e correram para os banheiros. Aqueles que conseguiram fugir em direção à saída, ficaram presos nos corrimãos usados para organizar as filas. A boate foi tomada por uma fumaça preta e as pessoas não conseguiam enxergar nada. A maioria morreu asfixiada dentro dos banheiros ou na parte dos fundos da boate.