Frente Integralista diz repudiar associação do grupo à ataque à produtora do Porta dos Fundos
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Frente Integralista diz repudiar associação do grupo à ataque à produtora do Porta dos Fundos

Movimento afirma que que desconhece grupo que assume autoria que o estatuto proíbe o uso de máscaras para fins de militância

Por
Estadão Conteúdo

Ataque ocorreu na véspera de Natal

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A Frente Integralista Brasileira, movimento político de caráter antiliberal, anticomunista, tradicionalista e nacionalista, afirmou, em nota publicada em seu site, que repudia a tentativa de associar o grupo ao atentado contra a sede da produtora do canal Porta dos Fundos. A Polícia Civil do Rio investiga a participação de um grupo que se diz integralista no atentado. Na quarta-feira, 25, os integrantes divulgaram um vídeo com imagens do ataque no YouTube. O jornal O Estado de S. Paulo confirmou que as imagens são da ação contra a produtora. A Frente diz ainda que desconhece o grupo em questão e que o estatuto da frente proíbe o uso de máscaras para fins de militância.

"O grupo em questão é desconhecido pela FIB e não possuímos com ele qualquer relação. Não temos certeza sobre a autenticidade do vídeo, e por isso não descartamos a possibilidade de ter sido um material forjado com o fim de incriminar os Integralistas. Entre os Integralistas é proibido o uso de máscaras para fins de militância. O uso de máscaras para tais fins é, com efeito, uma atitude anti-integralista", diz o texto. A mensagem ainda trás um trecho do estatuto da organização: "A nossa campanha é cultural, moral, educacional, social, às claras, em campo raso, de peito aberto, de cabeça erguida. Quem se bate por princípios não precisa combinar cousa alguma nas trevas. Quem marcha em nome das ideias nítidas, definidas, não precisa de máscaras".

No vídeo do YouTube, integrantes do grupo que se autodenomina Comando de Insurgência Popular Nacionalista da Grande Família Integralista Brasileira aparecem mascarados e leem um manifesto enquanto imagens do ataque com coquetéis Molotov são exibidas. A filmagem é feita por uma câmera que acompanha a ação. São três os homens que jogam os coquetéis e um que filma. O mesmo grupo teria feito um ataque na Universidade Federal do Estado do Rio (UniRio), em Botafogo, no fim do ano passado, queimando bandeiras e faixas antifascistas.

A polícia do Rio examina essas imagens e outras de câmeras de segurança que registraram o atentado contra a produtora, no Humaitá, no Rio. O vídeo das câmeras de segurança mostra o momento em que pelo menos três pessoas – duas em uma caminhonete, uma em uma motocicleta – participaram do ataque à fachada do prédio, com duas bombas incendiárias, às 4 horas da véspera de Natal. Ninguém foi ferido, e o fogo foi apagado por um segurança do prédio.

"O Porta dos Fundos condena qualquer ato de violência e, por isso, já disponibilizou as imagens das câmeras de segurança para as autoridades", informou nesta quarta o grupo em nota. O texto afirma ainda que o Porta espera que os responsáveis pelos ataques "sejam encontrados e punidos". O caso está sob investigação da 10.ª DP (Botafogo) como crime de explosão. O ataque pode ainda ser enquadrado na lei antiterror, que define como terrorismo o ato de usar explosivo "por razões de xenofobia, discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia e religião" com a finalidade de "provocar terror social".

Polêmica

O canal de humor virou alvo de críticas desde o lançamento do especial de Natal "A Primeira Tentação de Cristo", na Netflix. A produção mostra um Cristo gay, interpretado por Gregório Duvivier, com um namorado. O personagem é surpreendido por uma festa, na qual é revelado que ele é Filho de Deus e fora adotado por José e Maria. Um abaixo-assinado online pediu a retirada do programa da Netflix. No dia 19, a Justiça do Rio negou liminar a um pedido de uma associação religiosa para que programa fosse removido do site.

A decisão afirmou que não havia motivos legais para a remoção. Segundo a Justiça, determinação diferente da sua seria "inequivocamente censura decretada pelo Poder Judiciário". Em nota, os integrantes do grupo disseram ainda que seguirão em frente, "mais unidos, mais fortes, mais inspirados e confiantes que o País sobreviverá a essa tormenta de ódio, e o amor prevalecerá junto com a liberdade de expressão".