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Funcionário conta que havia bombeiros sem máscara no resgate da Kiss

Alguns profissionais teriam passado mal e ajudados por pessoas em frente à boate

No quarto depoimento à Justiça de Santa Maria nesta quarta-feira sobre a tragédia na boate Kiss, no início do ano, um funcionário do local relatou a precariedade dos materiais de segurança do Corpo de Bombeiros durante o trabalho para controlar o fogo na casa noturna. Conforme o homem, alguns profissionais tiveram que ser auxiliados pelas pessoas no local. 

“Tinha bombeiros, sem máscara ou capacete. Eles passaram mal e alguns tiveram que receber ajudar de quem estava por perto”, contou Luismar da Rosa Model, que trabalhava na boate há dois anos. A testemunha acredita que cerca de 800 pessoas estavam no local quando começou o incêndio.

Era comum, de acordo com a testemunha, a presença de menores de idade na Kiss, principalmente de amigos ou parentes dos sócios Elissando Spohr, o Kiko, e Mauro Hoffmann. Ele também contou que, por orientação da direção da boate, os funcionários irregulares tiravam o uniforme da casa noturna quando chegassem fiscais ao local.
Outros seis depoimentos estão marcados para o próximo dia 23. No início do mês, a Justiça dividiu o processo que apura o caso. Segundo o magistrado, o processo ficará separado em duas partes: uma para os acusados de homicídio e outra para os acusados de fraude de processual e falso testemunho.

O incêndio, ocorrido em janeiro, causou a morte de 242 pessoas. Os quatro réus – dois proprietários da casa noturna, Elissando Spohr e Mauro Hoffmann, e dois integrantes da banda Gurizada Fandangueira, Luciano Bonilha Leão e Marcelo Jesus dos Santos – são julgados pelos óbitos. Eles respondem por tentativa de homicídio e homicídio qualificado.

A tragédia

O incêndio na boate Kiss – que ficava na Rua dos Andradas, Centro de Santa Maria – começou por volta das 2h30min da madrugada de 27 de janeiro. Dos jovens que participavam de uma festa organizada por estudantes da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), 242 morreram em decorrência do fogo.

Segundo testemunhas, o fogo teria começado quando um dos integrantes da banda Gurizada Fandangueira, que acabara de subir ao palco, lançou um sinalizador. O objeto teria encostado na forração da casa noturna. As pessoas não teriam percebido o fogo de imediato, mas assim que o incêndio se espalhou, a correria teve início. Conforme relatos, os extintores posicionados na frente do palco não funcionaram.

Em pânico, muitos não conseguiram encontrar a única porta de saída do local e correram para os banheiros. Aqueles que conseguiram fugir em direção à saída, ficaram presos nos corrimãos usados para organizar as filas. A boate foi tomada por uma fumaça preta e as pessoas não conseguiam enxergar nada. A maioria morreu asfixiada dentro dos banheiros ou na parte dos fundos da boate.

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