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Interesses econômicos adiam solução para ponte do Guaíba, segundo MPF

Perocurador se reuniu com representantes da Concepa e chegou a falar em possíveis sanções

O procurador do Ministério Público Federal (MPF) Alexandre Gavronski, responsável por um inquérito para investigar as falhas frequentes na ponte do Guaíba, sugeriu, nesta segunda-feira, que "possíveis interesses econômicos" podem estar impedindo a resolução definitiva do problema. A declaração foi feita durante audiência para tratar do tema, que reuniu dirigentes da Concepa - atual administradora da estrutura -, e entidades ligadas ao trânsito do local, como a Polícia Rodoviária Federal (PRF) e a Capitania dos Portos da Marinha do Brasil.

"A Concepa, que tem a obrigação de garantir o trânsito, talvez tenha interesse em erguer a nova ponte e por isso não procura resolver os problemas da atual", disse Gavronski. Desde que as falhas se intensificaram, a concessionária tem garantido que o fim das interrupções no trânsito só se dará com a construção de outra estrutura.

O projeto vem sendo prometido pelos candidatos a presidência Dilma Rousseff e José Serra. A Concepa nega que existam negociações com os presidenciáveis, mas reconhece que aceitaria participar da obra, mediante a renovação de contratos para exploração dos pedágios da freeway, que expiram em 2017. "Temos medidas paliativas, mas como o defeito é permanente, só teremos garantias totais da fluidez do trânsito com a nova ponte", assegura o presidente da Concepa, Odenir Sanches.

A argumentação, contudo, não convence o procurador. "A estrutura dela tem algumas limitações, mas atrasos extraordinários como vem ocorrendo com frequência não serão mais tolerados, já que a concessionária tem obrigação contratual de garantir a normalidade do tráfego", disse Gavronski. "Se novos problemas ocorrerem, iremos ingressar com ações na Justiça, possivelmente pedindo indenizações", complementou.

Somente em 2010, a ponte emperrou três vezes: em 22 de abril, 30 de julho e 1º de outubro. As interrupções, geradas por defeitos elétricos e mecânicos, além de ocasionarem transtornos aos motoristas, provocaram prejuízos financeiros, especialmente a transportadoras. Apesar do tom rígido, o MPF sinaliza que pretende estabelecer inicialmente um acordo, prevendo, por exemplo, içamentos em horários alternativos para evitar congestionamentos.

Na audiência, Sanchez anunciou que a principal medida para modernizar a ponte será a automatização do procedimento para passagem de embarcações. Segundo ele, na semana que vem, técnicos de uma empresa norte-americana estarão no Estado para inspecionar o local.

A previsão é de que o sistema seja implementado até novembro de 2011. "Mas repito: com a atual ponte, os problemas serão inevitáveis", ressaltou o presidente da Concepa. "Se é inevitável o descumprimento do contrato, serão inevitáveis as sanções do MPF", prometeu Gavronski.

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