"A Concepa, que tem a obrigação de garantir o trânsito, talvez tenha interesse em erguer a nova ponte e por isso não procura resolver os problemas da atual", disse Gavronski. Desde que as falhas se intensificaram, a concessionária tem garantido que o fim das interrupções no trânsito só se dará com a construção de outra estrutura.
O projeto vem sendo prometido pelos candidatos a presidência Dilma Rousseff e José Serra. A Concepa nega que existam negociações com os presidenciáveis, mas reconhece que aceitaria participar da obra, mediante a renovação de contratos para exploração dos pedágios da freeway, que expiram em 2017. "Temos medidas paliativas, mas como o defeito é permanente, só teremos garantias totais da fluidez do trânsito com a nova ponte", assegura o presidente da Concepa, Odenir Sanches.
A argumentação, contudo, não convence o procurador. "A estrutura dela tem algumas limitações, mas atrasos extraordinários como vem ocorrendo com frequência não serão mais tolerados, já que a concessionária tem obrigação contratual de garantir a normalidade do tráfego", disse Gavronski. "Se novos problemas ocorrerem, iremos ingressar com ações na Justiça, possivelmente pedindo indenizações", complementou.
Somente em 2010, a ponte emperrou três vezes: em 22 de abril, 30 de julho e 1º de outubro. As interrupções, geradas por defeitos elétricos e mecânicos, além de ocasionarem transtornos aos motoristas, provocaram prejuízos financeiros, especialmente a transportadoras. Apesar do tom rígido, o MPF sinaliza que pretende estabelecer inicialmente um acordo, prevendo, por exemplo, içamentos em horários alternativos para evitar congestionamentos.
Na audiência, Sanchez anunciou que a principal medida para modernizar a ponte será a automatização do procedimento para passagem de embarcações. Segundo ele, na semana que vem, técnicos de uma empresa norte-americana estarão no Estado para inspecionar o local.
A previsão é de que o sistema seja implementado até novembro de 2011. "Mas repito: com a atual ponte, os problemas serão inevitáveis", ressaltou o presidente da Concepa. "Se é inevitável o descumprimento do contrato, serão inevitáveis as sanções do MPF", prometeu Gavronski.