• Alunos passam a noite em rio após cheia do rio Uruguai
• Cheia bloqueia ponte na divisa com Santa Catarina
A cidade do Noroeste gaúcho está sem água desde o começo da manhã desta sexta. As famílias estão sendo abastecidas por dois caminhões-pipa da Corsan. A energia elétrica já foi cortada em mais 60% da cidade e somente as áreas mais elevadas mantêm o fornecimento. A RGE cortou a luz por precaução.
O prefeito Volmir José Bielski estima que, com o decreto de calamidade pública, haja agilidade no recebimento de recursos. Donativos estão sendo encaminhados pela Defesa Civil Estadual e pelos municípios da região. “Mais de 280 propriedades estão sem acesso. Ainda não temos valores dos prejuízos porque não é possível fazer a contabilidade por conta da água, mas contamos com ajuda porque, até o momento, só nós estamos subsidiando”, destacou.
Cheia deve atingir nível histórico
A cheia deve atingir o nível histórico do ano de 1983, quando o rio Uruguai ficou 18 metros acima do normal. Nesta sexta, o nível já era de mais de 17. Volmir José Bielski garante que a enchente é muito pior que a anterior, já que há 31 anos a subida da água do Uruguai foi mais lenta e as famílias conseguiram salvar parte dos pertences. “Aquela enchente demorou cinco dias para acontecer. Dessa vez, foram apenas 24 horas e as pessoas não conseguiram levar nada. Muitas saíram com a roupa do corpo”, lamentou Bielski.
A ponte de integração entre o Rio Grande do Sul e Santa Catarina sobre o Rio Uruguai foi interditada durante a tarde. O balneário Osvaldo Cruz, onde as portas são blindadas e lacradas, pode ser inundado. As barragens das hidrelétricas de Itá e Foz de Chapecó estão com os reservatórios nos limites. Caso o volume aumente, as comportas poderão ser liberadas e a situação pode piorar ainda mais em toda a região.
Com 8 mil habitantes, Iraí depende da produção de trigo e leiteira. A Emater vai realizar um levantamento sobre os prejuízos somente quando a enchente diminuir.
Chuva provoca 3,4 mil desalojamentos
De acordo com levantamento da Defesa Civil estadual, que já está com equipes na região afetada pelas chuvas, 3.409 foram desalojadas e 729, desabrigadas até a tarde desta sexta-feira. Em dois dias, choveu mais que a média para o mês inteiro no Noroeste gaúcho. Ao todo, são 45 municípios afetados pela enchente.