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Jovem conta que rastejou, caiu e foi salvo por desconhecido

Foram retomadas hoje audiências do processo que investiga incêndio na boate Kiss de Santa Maria

Rodrigo Souza da Silveira foi primeiro a falar
Rodrigo Souza da Silveira foi primeiro a falar Foto : João Vilnei / Especial / CP
O primeiro a depor em audiência do processo criminal sobre o incêndio na boate Kiss de Santa Maria, nesta quinta-feira, foi um dos frequentadores da casa noturna, Rodrigo Souza da Silveira. A exemplo do que contou a maioria dos sobreviventes, ele disse que, quando o tumulto começou, pensou que se tratava de uma briga. Só quando viu uma cortina de fumaça preta, o jovem percebeu que havia algo estranho. Ele confessou que, ao tentar escapar houve empurra-empurra e ele chegou a pisar em algumas pessoas que estavam caídas no chão. O jovem relatou que precisou rastejar para sair e que ao chegar à porta caiu, mas foi puxado por alguém para fora da boate. 

Silveira contou que passava em frente ao local na noite do incêndio quando foi convidado pelo gerente da Kiss para entrar de graça. Ele foi para a área VIP, que ficava bem perto do banheiro. Ele lembrou que muitas pessoas correram para o lado inverso à porta de saída durante a correria. 

No total devem ser ouvidos 52 sobreviventes. Familiares das vítimas da tragédia de Santa Maria e integrantes da Associação dos Familiares de Vitimas e Sobreviventes da Tragédia de Santa Maria acompanham os depoimentos. Algumas vítimas serão ouvidas, neste mês, por cartas precatórias nos municípios de Horizontina, Passo Fundo, Quaraí, Rosário do Sul e Uruguaiana. 

Os quatro réus – dois proprietários da casa noturna, Elissando Spohr e Mauro Hoffmann, e dois integrantes da banda Gurizada Fandangueira, Luciano Bonilha Leão e Marcelo Jesus dos Santos – são julgados pelas 242 mortes decorrentes do incêndio na boate Kiss. Eles respondem por tentativa de homicídio e homicídio qualificado.

A tragédia

O incêndio na boate Kiss – que ficava na Rua dos Andradas, Centro de Santa Maria – começou por volta das 2h30min da madrugada de 27 de janeiro. Dos jovens que participavam de uma festa organizada por estudantes da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), 242 morreram em decorrência do fogo.

Segundo testemunhas, o fogo teria começado quando um dos integrantes da banda Gurizada Fandangueira, que acabara de subir ao palco, lançou um sinalizador. O objeto teria encostado na forração da casa noturna. As pessoas não teriam percebido o fogo de imediato, mas assim que o incêndio se espalhou, a correria teve início. Conforme relatos, os extintores posicionados na frente do palco não funcionaram.

Em pânico, muitos não conseguiram encontrar a única porta de saída do local e correram para os banheiros. Aqueles que conseguiram fugir em direção à saída, ficaram presos nos corrimãos usados para organizar as filas. A boate foi tomada por uma fumaça preta e as pessoas não conseguiam enxergar nada. A maioria morreu asfixiada dentro dos banheiros ou na parte dos fundos da boate.


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