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Jovem que respirou ar do freezer na boate Kiss recebe alta

Número de vítimas ainda internadas caiu para 65

A funcionária da boate Kiss Ingrid Preigschadt Goldani, 21 anos, que se salvou do incêndio que atingiu a casa no dia 27 de janeiro após colocar a cabeça no freezer e respirar o ar, recebeu alta nesta quarta-feira do Hospital Nossa Senhora da Conceição, em Porto Alegre, de acordo com a assessoria de imprensa do hospital.

Após o incêndio, a estudante de Enfermagem da Universidade Federal de Santa Maria foi internada e chegou a ser encaminhada para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI), onde permaneceu até o dia 2.

Ingrid trabalhava atrás do balcão do bar e só percebeu o incêndio quando a fumaça já havia se alastrado. Ela encheu os pulmões de ar no freezer, pôs a camiseta na boca, fechou os olhos e pulou o balcão. Mas caiu e foi pisoteada. Ajudada por desconhecidos, foi levada para fora. Seu irmão, Fábio, também estava na Kiss, perto da porta, e escapou sem ferimento.

Dez altas nesta quinta-feira

Ingrid e outros nove vítimas do incêncio de Santa Maria receberam alta nesta quibta, três pela manhã e sete à tarde. Com isso, caiu para 65 o número de vítimas ainda internadas em hospitais, em quatro cidades gaúchas. Conforme a Secretaria Estadual da Saúde (SES), o total de pacientes que ainda dependem de ventilação mecânica também diminuiu de 21 para 18.

Dos pacientes ainda internados, 39 estão em hospital de Porto Alegre. Em Santa Maria, há 23 internados. Dois feridos estão em Canoas e um em Caxias do Sul.

A tragédia


O incêndio na boate Kiss – que fica na Rua dos Andradas, Centro de Santa Maria – começou por volta das 2h30min da madrugada de 27 de janeiro. O público jovem participava de uma festa organizada por estudantes da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM).

Segundo testemunhas, o fogo teria começado quando um dos integrantes da banda Gurizada Fandangueira, que acabara de subir ao palco, lançou um sinalizador. O objeto teria encostado na forração da casa noturna.

As pessoas não teriam percebido o fogo de imediato, mas assim que o incêndio se espalhou, a correria teve início. Testemunhas relataram que, a princípio, parecia uma briga e os seguranças fizeram um cordão de bloqueio. Mas, quando viram que era um incêndio, liberaram a passagem.

Conforme relatos, os extintores posicionados na frente do palco não funcionaram. Em pânico, muitos não conseguiram encontrar a única porta de saída do local e correram para os banheiros. Aqueles que conseguiram fugir em direção à saída, ficaram presos nos corrimãos usados para organizar as filas. A boate foi tomada por uma fumaça preta e as pessoas não conseguiam enxergar nada. A maioria morreu asfixiada dentro dos banheiros ou na parte dos fundos da boate.

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