Geral

Juiz libera testemunha que chegou meia hora atrasada ao fórum

Mais quatro sobreviventes da tragédia de Santa Maria serão ouvidos nesta quarta

O depoimento de Gilceliane Dias Freitas estava marcado para 10h30min desta quarta-feira, mas a sócia majoritária da empresa de prevenção de incêndio Hidramix chegou ao fórum de Santa Maria, na região central do Estado, após às 11h. Questionada pelo juiz Ulysses Fonseca Louzada sobre a noite de 27 de janeiro, quando a boate Kiss pegou fogo, a mulher informou que não estava no local. Surpreso, o magistrado perguntou ao advogado Jader Marques por que ela havia sido arrolada como sobrevivente. Como o defensor não soube responder, a testemunha foi liberada, mas pode ser convocada novamente. 

Renata Graziele Vieira dos Santos foi a sobrevivente ouvida por volta das 9h30min. Ela falou por cerca de meia hora. Contou que as barras de proteção em frente à boate a atrapalharam para sair da casa noturna, mas também a ajudaram, porque foi nelas que a jovem "se agarrou" quando caiu ao chão. 

À tarde, outras quatro pessoas devem ser ouvidas. O primeiro a falar será o ex-funcionário Jairo da Silva Lima. Ainda ocorrerão oitivas nesta quinta e nos dias 19, 24, 25, 26 e 27 de setembro. No total devem ser ouvidos 52 sobreviventes. Algumas vítimas serão ouvidas, neste mês, por cartas precatórias nos municípios de Horizontina, Passo Fundo, Quaraí, Rosário do Sul e Uruguaiana.

Os quatro réus no processo criminal são dois proprietários da casa noturna, Elissando Spohr e Mauro Hoffmann, e dois integrantes da banda Gurizada Fandangueira, Luciano Bonilha Leão e Marcelo Jesus dos Santos. Eles respondem por tentativa de homicídio e homicídio qualificado em decorrência das 242 mortes e centenas de feridos no incêndio da boate Kiss. 

A tragédia


O incêndio na boate Kiss – que ficava na Rua dos Andradas, Centro de Santa Maria – começou por volta das 2h30min da madrugada de 27 de janeiro. Dos jovens que participavam de uma festa organizada por estudantes da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), 242 morreram em decorrência do fogo.

Segundo testemunhas, o fogo teria começado quando um dos integrantes da banda Gurizada Fandangueira, que acabara de subir ao palco, lançou um sinalizador. O objeto teria encostado na forração da casa noturna. As pessoas não teriam percebido o fogo de imediato, mas assim que o incêndio se espalhou, a correria teve início. Conforme relatos, os extintores posicionados na frente do palco não funcionaram.

Em pânico, muitos não conseguiram encontrar a única porta de saída do local e correram para os banheiros. Aqueles que conseguiram fugir em direção à saída, ficaram presos nos corrimãos usados para organizar as filas. A boate foi tomada por uma fumaça preta e as pessoas não conseguiam enxergar nada. A maioria morreu asfixiada dentro dos banheiros ou na parte dos fundos da boate.

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