As últimas sete casas que faltavam para continuar as obras de infraestrutura do arroio Cavalhada, em Porto Alegre, começaram a ser removidas nesta quinta-feira Os moradores lamentaram a decisão judicial, pois queriam mais tempo para a mudança. Eles devem receber aluguel social ou ficar hospedados em apart-hotéis até as unidades habitacionais financiadas pelo Programa Federal Minha Casa, Minha Vida (MCMV) serem liberadas pela Caixa Econômica Federal.
“As obras estavam paradas há seis meses e havíamos recebido notificação do BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento) pelo atraso. Tinha risco de perdermos os recursos”, observou o secretário municipal de Gestão, Urbano Schmitt, que acompanhou a reintegração de posse que ocorreu entre as avenidas Diário de Notícias e Icaraí.
As estruturas já começaram a ser demolidas e o último trecho da intervenção do Programa Integrado Socioambiental (Pisa) na área poderá ser executado já nesta semana. A conclusão dessa parte está prevista para maio de 2016. A execução começou em 2012 no trecho, onde está em construção um canal com 16 metros de largura e diques de contenção no trecho de 620 metros. Já foram reassentadas 523 famílias que viviam em situação de risco às margens do arroio.
Conforme a prefeitura, as pessoas receberam casas em um condomínio construído pelo Pisa ou por meio de bônus moradia. O oficial de Justiça que cumpriu o mandado de reintegração, Jones Freitas, disse que não houve resistência da parte dos moradores. “Eles já estavam cientes desde segunda-feira”, observou. A Brigada Militar e a Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC) deram apoio para a operação, assim como o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu).
Moradora há cerca de 20 anos da região, Claudete da Silva, 70 anos, precisou de atendimento médico. “Nós pedimos prazo de dez dias para organizar as coisas, mas teremos que sair”, disse. A casa dela e as outras foram derrubadas à medida que os móveis e outros pertences eram retirados. A filha Acionara da Silva, 44 anos, observou que os habitantes não querem ser removidos para locais distantes do bairro Cristal. “Criei meus filhos aqui. Tem o colégio e o trabalho próximos. Dói muito isso que estão fazendo”, declarou.
Justiça cumpre reintegração de posse para continuar obra do arroio Cavalhada
Moradores queriam mais tempo para fazer mudança em Porto Alegre