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Justiça nega pedido do MP e não antecipa julgamento sobre o Esqueletão

Após avaliação da prefeitura, foi constatado que prédio da Galeria XV de Novembro tem grau de risco crítico

Prédio da Galeria XV de Novembro tem grau de risco crítico, segundo vistoria da prefeitura
Prédio da Galeria XV de Novembro tem grau de risco crítico, segundo vistoria da prefeitura Foto : Sandra Denardin / PMPA / Divulgação / CP
A 10ª Vara da Fazenda Pública de Porto Alegre indeferiu o pedido do Ministério Público (MP) estadual para antecipar o julgamento da ação civil pública que trata do prédio Galeria XV de Novembro, conhecido como Esqueletão, localizado no Centro Histórico. Na ação, o MP antecipação “urgente” do julgamento e a demolição do prédio “caso constatada, em perícia a ser realizada” a existência de risco iminente de desabamento do prédio.

A ação foi proposta em 2012, nove anos após o ajuizamento de ação pelo Município contra os proprietários do prédio (ação civil pública 001/1.05.0366759-9, que também tramita na 10ª Vara da Fazenda Pública). Como tem pedidos parecidos, a Procuradoria-Geral do Município (PGM) solicitou ao Judiciário para figurar, ou seja, para passar de réu a coautor.

“Ao longo de todos esses anos, ainda não foi possível nem identificar todos os proprietários do imóvel. Há situações peculiares, como a existência do registro de matrículas individualizadas de unidades que nem mesmo foram construídas. Do ponto de vista urbanístico, a própria proposta da demolição teria que ser minuciosamente analisada, já que o prédio está enraizado no meio do Centro da cidade. E do ponto de vista social, importante lembrar que há moradores no prédio. Essa complexidade está refletida na decisão do Judiciário de não antecipar o julgamento do caso”, afirmou o procurador-geral em Exercício, Nelson Marisco, ao explicar as complexas questões que envolvem a ação.

Em vistoria realizada em junho deste ano por engenheiros da Secretaria Municipal de Infraestrutura e Mobilidade Urbana (Smim), Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Smams) e Secretaria Municipal da Educação (Smed) foi produzido um documento assinado por cinco profissionais sobre a situação do local. Do ponto de vista da estabilidade, não foi percebido, visualmente, deslocamentos excessivos e nem fissuras. Já com relação ao estado de conservação da estrutura, foi verificada degradação permanente, com problemas de corrosão.

De acordo com o documento, limitado pela avaliação técnica de nível 1, foi constatado grau de risco crítico, isso é, “aquele que provoca danos contra a saúde e segurança das pessoas e meio ambiente, com perda excessiva de desempenho e funcionalidade, causando possíveis paralisações, aumento excessivo de custo, comprometimento sensível da vida útil e desvalorização imobiliária acentuada”.

Por isso, os engenheiros ressaltaram a necessidade de um raio X completo, feito por empresa especializada, com equipamento que a prefeitura não dispõem, para verificar a viabilidade ou não da possibilidade de recuperação do prédio.

Medidas

A construção do prédio foi iniciada na década de 1950 pela Sociedade Brasileira de Construção. Com uma área superior a 13 mil metros quadrados, o edifício tem 19 pavimentos construídos, sendo os três primeiros ocupados e os demais vazios. No térreo, há um centro comercial, com lojas ocupadas pelos proprietários e inquilinos. Os primeiros três andares estão ocupados por moradias, algumas com situação muito precária.

Ao longo do tempo, várias foram as iniciativas da prefeitura na tentativa de solucionar o problema, que afeta a paisagem e gera dúvidas quanto aos riscos existentes do ponto de vista da estrutura e da prevenção contra incêndio. As ações administrativas envolveram fiscalização e interdições (a primeira, ocorrida em 1988). Em 2005, o Município voltou a interditar andares e salas desocupados, cumprindo decisão judicial na ação movida pelo Município.

Ações fiscais

De acordo com dados da Secretaria Municipal da Fazenda (SMF) e da Procuradoria da Dívida Ativa, o Condomínio Galeria XV de Novembro acumula dívidas de IPTU. Cerca de R$ 226 mil estão em cobrança administrativa e mais de R$1,4 milhão em cobrança judicial. Há unidades com os tributos em dia.