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Justiça ouve mais três testemunhas de defesa no caso da Boate Kiss

Ex-comandante dos Bombeiros não aparece para depor alegando que passou por cirurgia

Três das quatro testemunhas de defesa que tinham depoimento previsto no processo criminal sobre o incêndio na boate Kiss, em Santa Maria, foram ouvidas em audiência que durou cinco horas e só terminou às 15h desta sexta-feira, no Foro de Porto Alegre. Das 51 arroladas pela defesa dos quatro réus, 44 já falaram. Essa fase do processo segue até 2 de março para que, depois, sejam ouvidos os peritos que trabalharam no incêndio. Em etapas anteriores, a Justiça já ouviu 114 sobreviventes e 16 testemunhas de acusação.

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Os quatro depoimentos foram solicitados pelo réu Elisandro Spohr, o Kiko, um dos sócios da casa noturna. O ex-comandante do 4º Comando Regional de Bombeiros Moisés Fuchs, porém, não compareceu alegando estar em cirurgia. Essa oitiva deve ser remarcada.

O primeiro a falar foi o empresário e organizador de eventos Alexandre Marques Hoher. Ele relatou que Kiko tinha cuidado com o uso de pirotecnia na boate e que, em pelo menos uma ocasião, o proibiu de usar um banner e um sputnik no local, mas não deixou claro por que razão. Ele também explicou que os produtores eram livres para organizar o palco da casa noturna e assegurou que havia espuma nos revestimentos e placas indicando as saídas de incêndio. Hoher também contou que conhecia a estrutura da boate, onde relatou ter ido seis vezes, e pôs em dúvida a tese de que barras de contenção tenham atrapalhado a saída do público no dia da tragédia. Para o empresário, o incêndio foi o estopim para que as autoridades públicas redobrem atenção com a fiscalização e garantiu que estabelecimentos fazem uso de pirotecnia em festas e shows, ainda hoje.

Em seguida, o juiz responsável pelo caso, Ulysses Louzada, ouviu o guitarrista Eduardo Pohl, amigo de Kiko e integrante da banda Projeto Pantana. Ele pediu, porém, para não ter o depoimento acompanhado pela imprensa, inclusive a oficial, do Tribunal de Justiça.

O último a depor foi o diretor-geral do Instituto Geral de Perícias, José Cláudio Garcia. Ele detalhou como foi o trabalho do órgão para retirar e identificar os corpos no dia do incêndio e a parceria com um laboratório argentino. Questionado pela defesa de Kiko sobre a conclusão dos técnicos do país vizinho, de que o gás metano não foi o principal causador das mortes, Garcia lembrou que não participou diretamente da perícia e que os agentes do IGP – foram 24 – devem esclarecer, na sequência do processo, por que motivo entenderam o contrário.

Como em outras audiências, o único dos réus que acompanhou a sessão foi o vocalista da banda Gurizada Fandangueira, Marcelo de Jesus dos Santos, que permaneceu calado. O próximo depoimento ocorre em 1º de dezembro, por carta precatória, em Chapecó (SC). A testemunha foi indicada pelo também sócio da Kiss, Mauro Hoffmann. O quarto réu no caso, além de Hoffmann, Spohr e Santos, é Luciano Bonilha Leão, também integrante da banda Gurizada Fandangueira.

O incêndio na boate Kiss deixou 242 mortos e mais de 600 feridos durante a madrugada de 27 de janeiro de 2013. Na ocasião, um artefato pirotécnico foi aceso no palco pelo vocalista da Gurizada Fandangueira, e acabou propagando as chamas pelo revestimento de espuma usada como isolamento acústico. A combustão do material provocou a liberação da fumaça tóxica (gás metano), responsável, conforme a perícia, pela maior parte das mortes.