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Justiça permite uso da força policial para retirar grupo de prédio do Demhab, em Porto Alegre

Decisão começa a valer a partir desta sexta-feira

Sede do Demhab foi ocupado por manifestantes há três semanas
Sede do Demhab foi ocupado por manifestantes há três semanas Foto : Guilherme Testa / CP Memória
Após ter determinado a reintegração de posse do edifício do Departamento Municipal de Habitação (Demhab), a Justiça permitiu, nesta quinta-feira, o uso da força policial para que seja cumprida a ordem de saída dos manifestantes. O prédio foi ocupado há três semanas e, desde então, o trabalho do órgão foi interrompido. A decisão é da titular da 5ª Vara da Fazenda Pública, Karla Aveline de Oliveira, válida a partir desta sexta-feira.

Já o grupo garante que pretende resistir e permanecer na sede, localizada na avenida Princesa Isabel, bairro Azenha. A advogada Cláudia Ávila ingressou hoje com um recurso contra a determinação do Judiciário. ”A Justiça está nos tratando com o mesmo descaso que a Prefeitura. O calendário de negociações é um escracho, mesmo com datas a partir da próxima semana, com desrespeito às reivindicações dos três movimentos que estão no local. Isso nos mostra a intenção de apenas cumprir a integração de posse sem a realização de reuniões em conjunto para resolver os problemas dos diferentes grupos”, sustentou.

Junto com a decisão pela reintegração de posse, a Justiça determinou a realização de reuniões entre Prefeitura e ocupantes para tentar buscar uma solução para as diferentes reivindicações quanto a habitação popular.

Os movimentos de luta por moradia fazem pressão para que os governos municipal e estadual destinem o prédio da Ocupação Lanceiros Negros, no Centro da cidade, à moradia social. Além disso, o grupo reclama de atrasos no pagamento do aluguel social e cobra a destinação de unidades do Minha Casa, Minha Vida para a população de rua.

Segundo a Prefeitura, há mais de 52 mil pessoas cadastradas nos programas de habitação em Porto Alegre. Dessas, 3,3 mil receberam casas. O Demhab sustenta que mais 2,1 mil devem receber unidades habitacionais até o fim do ano. O Departamento de Habitação também salienta que já foram aprovados os recursos para a construção de mais 1,3 mil moradias, apesar da suspensão dos repasses do programa federal Minha Casa, Minha Vida.