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Kiko Spohr fala pela primeira vez sobre incêndio na boate Kiss

Em entrevista a Gugu Liberato, ex-sócio da casa noturna recordou noite trágica em Santa Maria

Kiko Spohr falou pela primeira vez sobre incêndio na boate Kiss
Kiko Spohr falou pela primeira vez sobre incêndio na boate Kiss Foto : Fabiano do Amaral
O programa Gugu Entrevista, da TV Record, que foi ao ar na noite dessa quarta-feira entrevistou Elissandro Spohr, o Kiko, um dos sócios da boate Kiss. Esta foi a primeira entrevista de Spohr a uma rede nacional de TV desde a tragédia de 27 de janeiro de 2013, quando 242 pessoas faleceram no incêndio da casa noturna de Santa Maria.

Kiko Spohr falou de como o incidente modificou a sua vida, das vezes que pensou em se matar e de tudo que fez para deixar a boate dentro das normas exigidas pelo Corpo de Bombeiros em vistorias feitas. “Eu não fugi de nada. Não era a minha intenção isso. Era entretenimento, festa, alegria”, afirmou.

Um dos pontos altos do programa foi quando Gugu Liberato perguntou sobre o que Kiko Spohr vai falar para sua filha sobre a tragédia. “Eu vou dizer a verdade. Eu era jovem e estava subindo de vida. Eu quero que a minha filha tenha uma vida normal. Hoje, ninguém da minha família tem rede social”, garantiu.

A reportagem do programa do Gugu realizou a reconstituição da boate Kiss e Elissandro Spohr mostrou todas as modificações que a casa recebeu desde que ele adquiriu o estabelecimento, em 2010. “Eu administrava a boate, sempre fui o responsável. Naquela noite, assisti à passagem de som da Banda Gurizada Fandangueira, fui para casa, estive em um jantar na inauguração de um sushi bar de um amigo, voltei para a boate por volta das 2h”, recordou.

“Bombeiros demoraram 15 minutos”

Kiko disse que estava na festa com a esposa, que estava grávida de sua filha. Ele foi resolver um problema com um convidado que tinha bebido demais quando o fogo começou. “Eu estava próximo à saída quando me avisaram do fogo. Voltei para o salão e vi as pessoas querendo sair e mandei abrir as portas. Não vi fogo e fui um dos primeiros a sair”, reconheceu.

O ex-sócio da boate disse que chegou a pensar que sua esposa pudesse ter ficado presa dentro da boate e passou a agir pela parte de fora para ajudar os que ainda estavam lá dentro. “Começamos a quebrar as paredes com o que encontramos na rua. Os bombeiros demoraram 15 minutos para chegar. Eram todos voluntários, pois os bombeiros da cidade estavam na Operação Golfinho”, contou.

Quando esteve preso, Spohr chegou a cogitar a possibilidade do suicídio. “Fiquei quatro meses na cadeia. Pensava em dar com a cabeça na parede, tomar um choque enquanto tomava banho e morrer ali no chuveiro. Prefiro botar uma bala na cabeça que ficar preso”, disse, chorando copiosamente.

“Minha vida acabou”

Kiko Spohr também comentou sobre o uso da espuma que pegava fogo para abafar os ruídos da boate. “Chamei um engenheiro acústico para solucionar o problema, mas ele não pôde fazer a reforma. Passou o problema para outro engenheiro, que não resolveu o problema. Eu mesmo procurei a espuma na internet e mandei comprar para nós mesmos fazermos a colocação”, esclareceu. “Não sabia que ela produzia gases quando pegava fogo”, admitiu.

Por fim, Spohr justificou o silêncio desde o incêndio até o Gugu Entrevista convidá-lo para explicar o ocorrido. “Minha vida acabou. É peso demais para qualquer pessoa. Espero que seja feita justiça, mas não com injustiça. Eu não fugi de nada. Estou vendendo pneu velho para sobreviver. Nunca fui o playboy que quiseram estampar. Se tive uma vida boa, foi fruto do meu trabalho. Sempre trabalhei para conquistar o que eu queria. A boate Kiss era a minha vida. Hoje eu não tenho direito a nada. Eu tento não falar para não dizer besteira”, completou.