Kiko Spohr falou de como o incidente modificou a sua vida, das vezes que pensou em se matar e de tudo que fez para deixar a boate dentro das normas exigidas pelo Corpo de Bombeiros em vistorias feitas. “Eu não fugi de nada. Não era a minha intenção isso. Era entretenimento, festa, alegria”, afirmou.
Um dos pontos altos do programa foi quando Gugu Liberato perguntou sobre o que Kiko Spohr vai falar para sua filha sobre a tragédia. “Eu vou dizer a verdade. Eu era jovem e estava subindo de vida. Eu quero que a minha filha tenha uma vida normal. Hoje, ninguém da minha família tem rede social”, garantiu.
A reportagem do programa do Gugu realizou a reconstituição da boate Kiss e Elissandro Spohr mostrou todas as modificações que a casa recebeu desde que ele adquiriu o estabelecimento, em 2010. “Eu administrava a boate, sempre fui o responsável. Naquela noite, assisti à passagem de som da Banda Gurizada Fandangueira, fui para casa, estive em um jantar na inauguração de um sushi bar de um amigo, voltei para a boate por volta das 2h”, recordou.
“Bombeiros demoraram 15 minutos”
Kiko disse que estava na festa com a esposa, que estava grávida de sua filha. Ele foi resolver um problema com um convidado que tinha bebido demais quando o fogo começou. “Eu estava próximo à saída quando me avisaram do fogo. Voltei para o salão e vi as pessoas querendo sair e mandei abrir as portas. Não vi fogo e fui um dos primeiros a sair”, reconheceu.
O ex-sócio da boate disse que chegou a pensar que sua esposa pudesse ter ficado presa dentro da boate e passou a agir pela parte de fora para ajudar os que ainda estavam lá dentro. “Começamos a quebrar as paredes com o que encontramos na rua. Os bombeiros demoraram 15 minutos para chegar. Eram todos voluntários, pois os bombeiros da cidade estavam na Operação Golfinho”, contou.
Quando esteve preso, Spohr chegou a cogitar a possibilidade do suicídio. “Fiquei quatro meses na cadeia. Pensava em dar com a cabeça na parede, tomar um choque enquanto tomava banho e morrer ali no chuveiro. Prefiro botar uma bala na cabeça que ficar preso”, disse, chorando copiosamente.
“Minha vida acabou”
Kiko Spohr também comentou sobre o uso da espuma que pegava fogo para abafar os ruídos da boate. “Chamei um engenheiro acústico para solucionar o problema, mas ele não pôde fazer a reforma. Passou o problema para outro engenheiro, que não resolveu o problema. Eu mesmo procurei a espuma na internet e mandei comprar para nós mesmos fazermos a colocação”, esclareceu. “Não sabia que ela produzia gases quando pegava fogo”, admitiu.
Por fim, Spohr justificou o silêncio desde o incêndio até o Gugu Entrevista convidá-lo para explicar o ocorrido. “Minha vida acabou. É peso demais para qualquer pessoa. Espero que seja feita justiça, mas não com injustiça. Eu não fugi de nada. Estou vendendo pneu velho para sobreviver. Nunca fui o playboy que quiseram estampar. Se tive uma vida boa, foi fruto do meu trabalho. Sempre trabalhei para conquistar o que eu queria. A boate Kiss era a minha vida. Hoje eu não tenho direito a nada. Eu tento não falar para não dizer besteira”, completou.