Palatt relatou que, quando o tumulto começou, ele e outras pessoas pensaram que era uma briga. Depois, ouviu os gritos de "fogo" e percebeu que se tratava de um incêndio. Patatt lembrou que as luzes da casa noturna permaneceram apagadas e só ficou ligada a luz do banheiro. De acordo com o sobrevivente, muita gente correu para lá porque pensou que era a saída.
Cerca de 20 pessoas – entre amigos e familiares de vítimas – acompanharam a audiência, assim como os réus Luciano Bonilha Leão e Marcelo Jesus dos Santos da banda Gurizada Fandangueira. Doze policiais do Batalhão de Operações Especiais (BOE) fizeram a segurança do local e ninguém participou da audiência sem se identificar.
Quatro sobreviventes que iriam depor pela manhã – mas que não moram em Santa Maria – prestarão depoimento via carta precatória (instrumento usado pela Justiça para colher depoimentos em comarcas diferentes). Mais quatro pessoas devem ser ouvidas à tarde. Os trabalhos no Fórum de Santa Maria são coordenados pelo juiz da 1ª Vara Criminal de Santa Maria, Ulysses Fonseca Louzada.
Os quatro réus – dois proprietários da casa noturna, Elissando Spohr e Mauro Hoffmann, e dois integrantes da banda Gurizada Fandangueira, Luciano Bonilha Leão e Marcelo Jesus dos Santos – são julgados pelas 242 mortes decorrentes do incêndio na boate Kiss, em 27 de janeiro. Eles respondem por tentativa de homicídio e homicídio qualificado.
A tragédia
O incêndio na boate Kiss – que ficava na Rua dos Andradas, Centro de Santa Maria – começou por volta das 2h30min da madrugada de 27 de janeiro. Dos jovens que participavam de uma festa organizada por estudantes da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), 242 morreram em decorrência do fogo.
Segundo testemunhas, o fogo teria começado quando um dos integrantes da banda Gurizada Fandangueira, que acabara de subir ao palco, lançou um sinalizador. O objeto teria encostado na forração da casa noturna. As pessoas não teriam percebido o fogo de imediato, mas assim que o incêndio se espalhou, a correria teve início. Conforme relatos, os extintores posicionados na frente do palco não funcionaram.
Em pânico, muitos não conseguiram encontrar a única porta de saída do local e correram para os banheiros. Aqueles que conseguiram fugir em direção à saída, ficaram presos nos corrimãos usados para organizar as filas. A boate foi tomada por uma fumaça preta e as pessoas não conseguiam enxergar nada. A maioria morreu asfixiada dentro dos banheiros ou na parte dos fundos da boate.