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Macarrão admitiu que entregou a amante do ex-goleiro para um desconhecido com a promessa de que ela seria levada para conhecer um apartamento que Bruno daria a ela em Belo Horizonte, mas já "pressentindo" que ela seria executada. "Guardei isso tudo dois anos, quatro meses e 22 dias. Não aguentava mais, porque não sou esse monstro que todo mundo colocou. Não sou o Luiz Henrique traficante, que acabou com a vida do Bruno. Se alguém acabou com a vida, foi ele que acabou com a minha. Sei que agora sou X9 (alcaguete), mas minhas filhas estão crescendo. Agora sou um arquivo vivo. Tenho medo de morrer", afirmou.
Macarrão narrou sua relação com o goleiro, mas evitou qualquer citação ao ex-policial civil Marcos Aparecido dos Santos, o Bola, acusado de ter executado a vítima. "Ele não vai acusar o Bola, porque teme pela vida de sua família", afirmou o advogado José Arteiro, assistente da acusação no processo.
As declarações foram feitas após a exibição de vídeos com reportagens sobre o caso, além das imagens com o relato de Sérgio Rosa Sales sobre os últimos dias de Eliza Samudio no sítio de Bruno em Esmeraldas, na região metropolitana de Belo Horizonte. Sales era primo de Bruno e era o único acusado do homicídio de Eliza que aguardava o julgamento em liberdade, mas foi assassinado em agosto. O relato dele foi essencial para as investigações em torno do caso.
Entre os vídeos exibidos estava também uma conversa de Bruno com policiais civis que fizeram a escolta do goleiro do Rio de Janeiro para Belo Horizonte, após ele ser preso por determinação da Justiça. Bruno chega a dizer que, diante de tudo, "não confia" mais em Macarrão.
Antes de começar a ser interrogado pelo promotor Henry Wagner Vasconcelos e pelos advogados de defesa, Macarrão disse também que queria pedir perdão a Elenílson Vitor da Silva, Wemerson Marques de Souza, o Coxinha, e a outra ex-namorada de Bruno, Fernanda Gomes de Castro, também réus no processo que devem ser julgados a partir de 4 de março de 2013, data marcada também para o julgamento do goleiro e de Bola. "Aconteceram várias coisas nesses dois anos e meio que complicaram a vida deles", afirmou, referindo-se ao período em que foi morar no Rio de Janeiro trabalhando para o jogador.
Reviravolta no caso Bruno
A acusação acreditava que Macarrão confessaria o crime. Os advogados que auxiliam o Ministério Público Estadual no processo afirmaram que os próprios defensores do réu indicaram a possibilidade ainda na terça-feira. Durante a sessão dessa quarta, o advogado José Arteiro, um dos assistentes da acusação, chegou a sentar-se ao lado de Macarrão e manteve uma conversa ao pé do ouvido por alguns minutos. O julgamento do ex-goleiro, que começou na segunda-feira, foi adiado para março de 2013.
Mãe de Eliza diz que "não perdoaria" Bruno
A mãe de Eliza Samudio, Sônia Fátima de Moura, afirmou não ser capaz de perdoar o ex-goleiro Bruno Fernandes, ex-amante de sua filha e acusado de matá-la. Ela foi ouvida nessa quarta-feira no Tribunal do Júri de Contagem, na região metropolitana de Belo Horizonte, onde são julgados acusados de envolvimento no crime.