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Mais de 1,9 mil vítimas da Kiss são atendidas pelo SUS dois anos após tragédia

Incêndio na casa noturna de Santa Maria causou a morte de 242 pessoas

Incêndio na casa noturna de Santa Maria causou a morte de 242 pessoas
Incêndio na casa noturna de Santa Maria causou a morte de 242 pessoas Foto : João Vilnei / Especial / CP Memória
De acordo com dados da Secretaria Estadual de Saúde do Rio Grande do Sul, 1.904 pessoas seguem submetidas a tratamento ou acompanhamento médico em decorrência do incêndio na boate Kiss de Santa Maria, na região Central do Estado, dois anos após a tragédia.

Foram disponibilizados 8 mil atendimentos apenas em 2014, incluindo o Centro de Atendimento às Vítimas de Acidente (CIAVA), o Centro Regional de Saúde do Trabalhador (CEREST) e o Acolhe Saúde. São aproximadamente 836 sobreviventes do incêndio e pessoas que se cadastraram junto ao Sistema Único de Saúde, além de 251 trabalhadores envolvidos na noite da tragédia e 328 policiais militares. Pelo menos 21 pessoas foram identificadas com necessidade de cirurgia reparadora.

Após a noite da tragédia, foi criada uma força-tarefa por parte do Sistema Único de Saúde (SUS), que uniu o município ao governo do Estado e ao governo federal, para proporcionar atendimento imediato. Pelo menos 15 hospitais receberam pacientes relacionados à tragédia, sendo que a maior parte das vítimas foi encaminhada a Porto Alegre e região Metropolitana. Em seguida, foram estabelecidas três fases de atenção: a fase emergencial/hospitalar, a fase ambulatorial e a fase longitudinal. Na primeira, houve o socorro e assistência psicossocial imediata; na segunda, organização da rede para atendimentos especializados; na terceira, e atualmente em andamento, é realizado o atendimento contínuo e que deve se estender pelo menos por cinco anos desde a data do incêndio.

A partir das necessidades verificadas foi criado o Centro de Atendimento às Vítimas de Acidente (CIAVA). No total, já passaram pelo Centro 241 pessoas, que receberam acompanhamento em pneumologia, tratamento de queimaduras, fonoaudiologia e fisioterapia. Como foram verificados casos nunca vistos antes pelos profissionais da área, principalmente no que se refere a queimaduras das vias aéreas, foi iniciado um trabalho de pesquisa e qualificação que transformou o Hospital Universitário de Santa Maria, onde funciona o CIAVA, em centro nacional de referência para esse tipo de situação. Atualmente, 22 pessoas ainda recebem atendimento contínuo no espaço.

A tragédia

O incêndio na boate Kiss – que ficava na Rua dos Andradas, Centro de Santa Maria – começou por volta das 2h30min da madrugada de 27 de janeiro de 2013. Dos jovens que participavam de uma festa organizada por estudantes da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), 242 morreram em decorrência do fogo.

Segundo testemunhas, o fogo teria começado quando um dos integrantes da banda Gurizada Fandangueira, que acabara de subir ao palco, lançou um sinalizador. O objeto teria encostado na forração da casa noturna. As pessoas não teriam percebido o fogo de imediato, mas assim que o incêndio se espalhou, a correria teve início. Conforme relatos, os extintores posicionados na frente do palco não funcionaram.

Em pânico, muitos não conseguiram encontrar a única porta de saída do local e correram para os banheiros. Aqueles que conseguiram fugir em direção à saída, ficaram presos nos corrimãos usados para organizar as filas. A boate foi tomada por uma fumaça preta e as pessoas não conseguiam enxergar nada. A maioria morreu asfixiada dentro dos banheiros ou na parte dos fundos da boate.