Às vésperas de completar dois anos, o caso referente à tragédia na Boate Kiss já se tornou um dos maiores já examinados pela Justiça gaúcha. Sob o comando do juiz Ulysses Fonseca Louzada, o processo foi dividido em seis partes diferentes para facilitar o andamento do caso: estão em andamento as investigações referentes às acusações de homicídio doloso qualificado e tentativa de homicídio, falsidade ideológica/fraude processual/falso testemunho, fraude processual e falso testemunho. Além disso, correm uma ação civil pública e uma ação coletiva. O mais complexo desses processos, referente ao caso de homicídio e tentativa de homicídio, já soma mais de 12,5 mil páginas, divididas em 57 volumes. Cerca de 200 testemunhas já foram ouvidas, e a fase de oitivas termina em março.
O processo principal foi dividido e originou mais um sobre crime de falso testemunho e outro sobre fraude processual. Os inquéritos referentes a esses crimes foram entregues em dezembro de 2014 e houve nova denúncia contra mais 43 pessoas, algumas delas já citadas anteriormente no caso. Após a fase de oitivas de testemunhas, o juiz vai ouvir 24 agentes do Instituto Geral de Perícias do Estado e, em percebendo necessidade, pedir a reconstituição dos fatos. Prevendo esta possibilidade e analisando questões referentes à saúde pública, Louzada determinou a limpeza no interior do prédio, o que foi realizado ainda no final de 2014. Os quatro acusados de homicídio doloso e tentativa de homicídio (dois ex-sócios da boate e dois integrantes da banda Gurizada Fandangueira) respondem em liberdade após permanecerem quatro meses detidos no Presídio Regional de Santa Maria.
A ação civil pública, movida pelo Ministério Público, denunciou os bombeiros Alex da Rocha Camillo, Altair de Freitas Cunha, Daniel da Silva Adriano e Moisés da Silva Fuchs, que também respondem na esfera militar, acusados por improbidade administrativa. A ação coletiva, originada a partir da Defensoria Pública do Estado, prevê o pagamento de pensão alimentícia aos familiares das vítimas fatais do incêndio e pagamento de pensão correspondente à importância do trabalho às vítimas que tiverem a capacidade de trabalho impedida ou reduzida. Nesse caso, o Tribunal de Justiça revogou a ação tendo em vista que os afetados apenas poderão ser definitivamente conhecidos após liquidação de sentença em 1º grau.
Na esfera militar, os bombeiros Alex da Rocha Camilo, Daniel da Silva Adriano, Gilson Martins Dias e Moisés da Silva Fuchs, Marcos Vinícius Lopes Bastide, Renan Severo Berleze Sérgio Roberto de Oliveira Andrade e Vagner Guimarães Coelho respondem pelos crimes de inobservância da lei, prevaricação e inserção de declaração falsa com fim de alterar a verdade em documento público. O processo já está na fase de oitivas dos acusados, sendo que os depoimentos estão marcados para os dias 9 e 10 de fevereiro. Na esfera administrativa interna ao Corpo de Bombeiros, Marcos Vinícius Lopes Bastide, Gilson Martins Dias, Vagner Guimarães Coelho e Renan Severo Berleze foram absolvidos da acusação de inobservância da lei, o que não interfere nos demais julgamentos.
Mais de 200 pessoas já foram ouvidas pela Justiça no processo da Boate Kiss
Fase de depoimentos deve se encerrar em março, mas ainda não há previsão de sentença<br />