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Mais de 360 calçados são encontrados em prédio da Kiss

Pertences das vítimas serão devolvidos aos familiares depois de passarem por descontaminação

Objetos serão devolvidos aos familiares depois de passar por descontaminação
Objetos serão devolvidos aos familiares depois de passar por descontaminação Foto : João Vilnei / Especial / CP
Foram recolhidos os pertences das vítimas da tragédia da boate Kiss nas primeiras horas de limpeza do prédio, que teve início nesta quarta-feira, em Santa Maria, na região central do Estado. Segundo o engenheiro químico da Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam), Mario Kolberg Soares, foram encontrados 366 unidades de sapatos e tênis, além de cerca de 40 camisetas, telefones celulares, brincos e carteiras.

Todo o material recolhido está sendo embalado e colocado em tambores. De acordo com Soares, os objetos serão entregues ao titular da 1ª Vara Criminal, juiz Ulysses Fonseca Louzada, que coordena o processo criminal que apura os culpados pela tragédia. Posteriormente os objetos serão distribuídos para os familiares.

Quatro funcionários da empresa Inova Consultoria Ambiental iniciaram na manhã desta quarta-feira a limpeza e a descontaminação do prédio onde funcionava a boate Kiss, na Rua dos Andradas, Centro de Santa Maria. Na terça-feira, foram montadas estruturas para que o trabalho tivesse início sem o risco de contaminar o solo.

O trabalho é supervisionado pelo engenheiro químico Mario Kolberg Soares e pelo geólogo da Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam), Vicente Biermann. Existe a possibilidade da destruição da marquise onde consta o nome Kiss. Isso seria feito para agilizar o trabalho. O advogado da Associação de Familiares de Vitimas e Sobreviventes da Tragédia de Santa Maria , Luiz Fernando Smaniotto, acompanha o trabalho, assim como o advogado da empresa proprietária do prédio, Paulo Henrique Correa.

A tragédia

O incêndio na boate Kiss – que ficava na Rua dos Andradas, Centro de Santa Maria – começou por volta das 2h30min da madrugada de 27 de janeiro de 2013. Dos jovens que participavam de uma festa organizada por estudantes da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), 242 morreram em decorrência do fogo.

Segundo testemunhas, o fogo teria começado quando um dos integrantes da banda Gurizada Fandangueira, que acabara de subir ao palco, lançou um sinalizador. O objeto teria encostado na forração da casa noturna. As pessoas não teriam percebido o fogo de imediato, mas assim que o incêndio se espalhou, a correria teve início. Conforme relatos, os extintores posicionados na frente do palco não funcionaram.

Em pânico, muitos não conseguiram encontrar a única porta de saída do local e correram para os banheiros. Aqueles que conseguiram fugir em direção à saída, ficaram presos nos corrimãos usados para organizar as filas. A boate foi tomada por uma fumaça preta e as pessoas não conseguiam enxergar nada. A maioria morreu asfixiada dentro dos banheiros ou na parte dos fundos da boate.