Durante a celebração, familiares e amigos exibiam faixas e cartazes com os nomes e fotografias das vítimas. Todos vestiam roupas brancas. Durante a solenidade, Dom Jaime disse que conversou com uma jovem que está hospitalizada em Porto Alegre e perguntou qual mensagem ela gostaria que ele levasse à cerimônia: “Força e fé”, disse. A frase foi procedida por um momento de silêncio. “Através desse silêncio queremos manter nossa fé e nossa prece solidária”, disse Dom Jaime.
"A pergunta que não cala na imprensa e nas conversas é 'por que'? Creio que não há resposta e não é hora de achar culpados. A segunda pergunta é por que pessoas que nós aprendemos a amar de repente são tiradas do nosso meio de forma inesperada. A vida dos justos está nas mãos de Deus. A partir da fé havíamos de encontrar a força necessária. Que Deus acolha esses jovens entre seus santos e santas no céu", disse Dom Jaime. Ele ainda pediu força aos que estão internados e destacou a solidariedade dos voluntários.
A tragédia
O incêndio na boate Kiss – que fica na Rua dos Andradas, Centro de Santa Maria – começou por volta das 2h30min do último domingo. O público jovem participava de uma festa organizada por estudantes da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM).
Segundo testemunhas, o fogo teria começado quando um dos integrantes da banda Gurizada Fandangueira, que acabara de subir ao palco, lançou um sinalizador. O objeto teria encostado em uma forração de isopor.
As pessoas não teriam percebido o fogo de imediato, mas assim que o incêndio se espalhou, a correria teve início. Testemunhas relataram que, a princípio, parecia uma briga e os seguranças fizeram um cordão de bloqueio. Mas, quando viram que era um incêndio, liberaram a passagem.
Conforme relatos, os extintores posicionados na frente do palco não funcionaram. Em pânico, muitos não conseguiram encontrar a única porta de saída do local e correram para os banheiros. Aqueles que conseguiram fugir em direção à saída, ficaram presos nos corrimões, usados para organizar as filas. A boate foi tomada por uma fumaça preta e as pessoas não conseguiam enxergar nada. A maioria morreu asfixiada dentro dos banheiros ou na parte dos fundos da boate.
Com informações dos repórteres Danton Júnior e Renato Oliveira