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Moradores de Santa Maria lembram cinco meses de tragédia

Justiça ouve sobreviventes do incêndio da boate Kiss

Justiça ouve sobreviventes do incêndio da boate Kiss
Justiça ouve sobreviventes do incêndio da boate Kiss Foto : Mauro Schaefer
Em meio a ocupação da Câmara de Vereadores e as audiências na Justiça criminal, moradores de Santa Maria lembram nesta quinta-feira os cinco meses do incêndio da boate Kiss. Familiares e amigos das vítimas se reúnem a partir das 17h na Praça da Matriz. Às 18h ocorre o já tradicional buzinaço e um minuto de barulho para lembrar os 242 mortos na maior tragédia gaúcha. 

Em seguida, ocorre uma caminhada até a Basílica Nossa Senhora Medianeira, onde será celebrada uma missa. No trajeto, os participantes da caminhada devem se deitar sobre o viaduto Evandro Berh e soltar 242 balões brancos para lembrar os mortos em decorrência do incêndio. 

Justiça ouve sobreviventes

Na manhã desta quinta-feira foram retomados os depoimentos de testemunhas e sobreviventes da tragédia de Santa Maria. Os quatro réus – dois proprietários da casa noturna, Elissando Spohr e Mauro Hoffmann, e dois integrantes da banda Gurizada Fandangueira, Luciano Bonilha Leão e Marcelo Jesus dos Santos –  são julgados pelas 242 mortes decorrentes do incêndio na boate Kiss, em 27 de janeiro. Eles respondem por tentativa de homicídio e homicídio qualificado. Os dois componentes da banda acompanharam as oitivas nessa manhã.

Os trabalhos são conduzidos pelo juiz da 1ª Vara Criminal de Santa Maria, Ulysses Fonseca Louzada. A série de oitivas começou ontem e prossegue nesta sexta-feira. Novos depoimentos também estão marcados para 9 e10 de julho.

Ocupação dura mais de 40 horas

Manifestantes seguem acampados na Câmara de Vereadores de Santa Maria há 44 horas. O grupo reivindica o afastamento de três vereadores da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga as mortes no incêndio da boate Kiss. O grupo também exige a exoneração do procurador jurídico da Casa, Robson Zinn.

O principal motivo da ocupação foi o vazamento da gravação de uma conversa entre dois vereadores que integram a CPI e um assessor. No áudio, com mais de 42 minutos, a presidente da comissão, Maria de Lourdes Castro (PMDB), o vice, Tavores Fernandes (DEM), e o assessor, que seria o autor da gravação, tece críticas à mudança de posicionamento da vereadora Sandra Rebelato (PP), relatora da CPI. Na gravação, o trio diz que a investigação não pode chegar ao secretário de Relações de Governo e Comunicação, Giovani Mânica, nem ao prefeito de Santa Maria, Cezar Schirmer.

Os vereadores analisaram o conteúdo do áudio com os líderes da manifestação e anunciaram que o caso será examinado pela Comissão de Ética. O advogado da Associação dos Familiares Sobreviventes da Tragédia da Boate Kiss (AVTSM), Jonas Stecca, pediu uma cópia do áudio, já repassado à Polícia Civil e ao Ministério Público.

O secretário municipal de Relações de Governo e Comunicação de Santa Maria, Giovani Mânica, emitiu uma nota à imprensa ainda na tarde dessa terça-feira. No comunicado, Mânica disse que irá ingressar com representação na Câmara para investigar a falta de decoro para cassação do parlamentar e prometeu "ir até as últimas conseqüências para apurar os fatos".

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