Entretanto, Mauro Sérgio Conti Melo, de 38 anos, ainda não está na contagem oficial de mortos após a tragédia da madrugada de 27 de janeiro. O incêndio matou, até agora, 242 pessoas.
A família disse que ele não chegou a ser internado na época e nem teria procurado atendimento médico. No final de semana em que ocorreu o sinistro na casa noturna, ele estava visitando os pais, que residem na Vila Tomazetti, no Sul de Santa Maria. O homem trabalhava em uma chácara, no interior do município.
O incêndio na boate Kiss completa sete meses na próxima terça-feira. "A gente lamenta que ele não tenha ido procurar um médico. O que a família falou até agora é muito vago. Vou tentar falar com testemunhas para ver se ele realmente esteve lá resgatando as pessoas. Eu não tenho certeza", disse Adherbal Ferreira, presidente da Associação de Familiares de Vítimas e Sobreviventes da Tragédia de Santa Maria (AVTSM).
A tragédia
O incêndio na boate Kiss – que ficava na Rua dos Andradas, Centro de Santa Maria – começou por volta das 2h30min da madrugada de 27 de janeiro. Dos jovens que participavam de uma festa organizada por estudantes da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), 242 morreram em decorrência do fogo.
Segundo testemunhas, o fogo teria começado quando um dos integrantes da banda Gurizada Fandangueira, que acabara de subir ao palco, lançou um sinalizador. O objeto teria encostado na forração da casa noturna. As pessoas não teriam percebido o fogo de imediato, mas assim que o incêndio se espalhou, a correria teve início. Conforme relatos, os extintores posicionados na frente do palco não funcionaram.
Em pânico, muitos não conseguiram encontrar a única porta de saída do local e correram para os banheiros. Aqueles que conseguiram fugir em direção à saída, ficaram presos nos corrimãos usados para organizar as filas. A boate foi tomada por uma fumaça preta e as pessoas não conseguiam enxergar nada. A maioria morreu asfixiada dentro dos banheiros ou na parte dos fundos da boate.