Para o procurador Geraldo da Camino, a decisão mostra falta de planejamento, já que não é possível suspender os atendimentos sem comunicar os pacientes. O presidente do TCE, Cezar Miola, aprovou o pedido e se comprometeu a incluir a demanda nas próximas auditorias, que ainda não têm data definida.
O secretário de Saúde da Capital, Marcelo Bósio, pediu desculpas aos usuários que não foram avisados do fechamento de postos e que se deslocaram de pontos da Capital e do Interior do Estado em busca de atendimento médico nesta sexta-feira. Ele explicou que a decisão só foi tomada na tarde de quarta-feira, e que por isso não houve tempo para avisar todas as pessoas que tinham consultas agendadas. Bósio garantiu que os procedimentos serão reagendados e realizados nos próximos 15 dias.
Emergências lotadas nos hospitais da Capital
Agravado com o fechamento dos postos de saúde da Capital e a busca acentuada nas unidades de pronto atendimento do município, muitas pessoas precisaram recorrer às emergências hospitalares, que funcionavam com lotação acima do ideal em Porto Alegre. O quadro era considerado crítico no Hospital de Clínicas, que no início da manhã mantinha em atendimento 143 adultos em espaço destinado a 49. O volume de demanda era quase três vezes superior à capacidade.
Muitos precisaram ficar em macas nos corredores, em função do espaço superlotado, enquanto aguardavam leitos de internação para deixar o Setor de Emergência. Alguns pacientes estavam no local desde a segunda-feria. A Emergência Pediátrica também estava lotada.
No Hospital Nossa Senhora da Conceição, na zona Norte, 100 pacientes estavam sendo atendidos na emergência, o que representa o dobro da capacidade, que é de 50 leitos. No Hospital São Lucas, da PUCRS, 25 pacientes ocupavam o setor, que tem capacidade para 13 pessoas. No Complexo Hospitalar Santa Casa, o Setor de Emergência destinado a adultos do Hospital Santa Clara, 25 pacientes eram atendidos em espaço idealizado para abrigar 12.
A recomendação médica é que os doentes crônicos monitorem o seu estado de saúde, com a realização periódica de exames e verificação da medicação. Além disso, o ideal é que os idosos e as crianças fiquem mais protegidas do frio nesta época do ano. A utilização de roupas quentes e evitar a exposição aos locais com temperatura mais baixas também reduzem a possibilidade de agravamento dos quadros clínicos.
Com informações das repórteres Mauren Xavier e Camila Kila
Muitos precisaram ficar em macas nos corredores, em função do espaço superlotado, enquanto aguardavam leitos de internação para deixar o Setor de Emergência. | Foto: Vinicius Roratto