O procurador da República explica que, conforme pesquisas realizadas nas listagens exemplificativas extraídas do CD de auditoria, encaminhado pela Secretaria de Segurança Pública do RS, entre os anos de 2008 e 2010, “o acusado realizou apurações e perpetrou devassa no Sistema de Consultas Integradas, a fim de investigar várias autoridades federais. Dentre elas, destacam-se os procuradores da República Adriano dos Santos Raldi e Alexandre Schneider; o desembargador do Tribunal Regional do Trabalho da 4ª Região João Ghisleni Filho; o delegado da Polícia Federal, José Luís Raupp Pereira; e o deputado federal Luiz Carlos Ghiorzzi Busato.
Na peça de acusação, Celso Três explica que nesse período os procuradores da República investigados ilegalmente, apuravam o desvio de aproximadamente R$ 44 milhões dos cofres do DETRAN/RS e das fundações de apoio à Universidade Federal de Santa Maria. A Ação de Improbidade Administrativa, assinada pelos procuradores da República incluíam entre os réus a então governadora do Estado, Yeda Crusius (PSDB), o ex-secretário de segurança pública José Otávio Germano; o deputado federal João Luiz Vargas, que na época exercia o cargo de conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE), entre outros réus. O MPF investigava, ainda, vultosos desvios de recursos federais destinados à merenda escolar no Município de Canoas.
O procurador da República ressalta que em ambos processos, movidos pelo MPF, as cúpulas do Governo do Estado e da prefeitura de Canoas “ostentavam identificação política e institucional” e que a abusiva devassa das autoridades federais tinha por objetivou instruir investigação clandestina, retaliação ao exercício profissional por elas efetuado em detrimento dos agentes estaduais e municipais. E a lotação do sargento no Núcleo de Inteligência da Casa Militar, estaria inserida nesse contexto.
A investigação mostrou, também, no entender de Celso Tres, que o denunciado atuou em conjunto com outros agentes. No entanto, seu silêncio e a insuficiência de provas impediram a responsabilização de todos os autores do crime. Dessa forma, argumenta o procurador da República, o militar Cesar Rodrigues de Carvalho teria incorrido em artigo do Código Penal e, se condenado pode pegar até dois anos de prisão e perder o cargo púbico. O processo corre perante a Justiça Federal de Canoas.