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Mulheres protestam em Porto Alegre contra PEC que pretende proibir aborto

Grupo percorreu ruas centrais denunciando retirada de direitos em casos de estupro e risco de morte

Grupo percorreu ruas centrais denunciando retirada de direitos em casos de estupro e risco de morte
Grupo percorreu ruas centrais denunciando retirada de direitos em casos de estupro e risco de morte Foto : Fabiano do Amaral
Porto Alegre, São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte são algumas das cidades onde mulheres protestaram, nesta segunda-feira, contra a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 181/2011. A lei pretende proibir o aborto em todos os casos, inclusive naqueles já garantidos pela legislação brasileira, como em casos de estupro, de risco de morte para a mãe e também de fetos anencéfalos.

A PEC 181/2011 foi aprovada em uma comissão especial, formada para analisar o tema, ainda este mês, com um placar de 18 votos favoráveis e apenas 1 contrário - da única deputada mulher que fazia parte do grupo que discutia a questão. Agora, a proposta seguirá para o plenário da Câmara dos Deputados, em Brasília, e deve ser apreciada em dois turnos.

Em Porto Alegre, o protesto das mulheres iniciou às 18h na Esquina Democrática, no Centro da cidade. No local, uma das manifestantes realizou uma performance artística que representava a realização de um aborto clandestino. Com uma bacia cheia de uma água vermelha, que representava sangue, a mulher pintou o corpo e, ao final, derramou a tigela entre as pernas.

Após a performance, o grupo seguiu em caminhada pela avenida Borges de Medeiros, dobrou na rua Riachuelo e foi em direção ao Palácio da Justiça, onde protestou por um tempo, pedindo por justiça às mulheres. Na sequência, as mulheres seguiram em direção à Duque de Caxias, desceram na avenida João Pessoa e seguiram para o Largo Zumbi dos Palmares (Epatur), onde o ato seria encerrado.

No local, as lideranças decidiram continuar a manifestação. As mulheres seguiram pela avenida Loureiro da Silva, na contramão, no sentido bairro-centro e depois ingressaram na rua Lima e Silva, no bairro Cidade Baixa, caminhando entre os carros, pedindo a retirada da PEC 181/2011 de tramitação e também a legalização do aborto.

Para a estudante de direito da Ufrgs Domenique Goulart, 23 anos, a importância de protestar contra a proposta é para reforçar que existe uma tentativa de retirada de direitos das mulheres. “Precisamos assegurar esses direitos que já temos e também lançar luz para este debate. Hoje o aborto clandestino é a quinta causa de morte entre gestantes do país”, afirmou. Domenique ainda ressaltou que é preciso mobilizar o Brasil em prol desta causa. “Eles  dizem que são favoráveis à vida, mas qual vida? E as mulheres, que perdem suas vidas, em abortos clandestinos? Ou em gravidez de risco? Essas vidas não importam?”, criticou.