Porto Alegre, São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte são algumas das cidades onde mulheres protestaram, nesta segunda-feira, contra a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 181/2011. A lei pretende proibir o aborto em todos os casos, inclusive naqueles já garantidos pela legislação brasileira, como em casos de estupro, de risco de morte para a mãe e também de fetos anencéfalos.
A PEC 181/2011 foi aprovada em uma comissão especial, formada para analisar o tema, ainda este mês, com um placar de 18 votos favoráveis e apenas 1 contrário - da única deputada mulher que fazia parte do grupo que discutia a questão. Agora, a proposta seguirá para o plenário da Câmara dos Deputados, em Brasília, e deve ser apreciada em dois turnos.
Em Porto Alegre, o protesto das mulheres iniciou às 18h na Esquina Democrática, no Centro da cidade. No local, uma das manifestantes realizou uma performance artística que representava a realização de um aborto clandestino. Com uma bacia cheia de uma água vermelha, que representava sangue, a mulher pintou o corpo e, ao final, derramou a tigela entre as pernas.
Após a performance, o grupo seguiu em caminhada pela avenida Borges de Medeiros, dobrou na rua Riachuelo e foi em direção ao Palácio da Justiça, onde protestou por um tempo, pedindo por justiça às mulheres. Na sequência, as mulheres seguiram em direção à Duque de Caxias, desceram na avenida João Pessoa e seguiram para o Largo Zumbi dos Palmares (Epatur), onde o ato seria encerrado.
No local, as lideranças decidiram continuar a manifestação. As mulheres seguiram pela avenida Loureiro da Silva, na contramão, no sentido bairro-centro e depois ingressaram na rua Lima e Silva, no bairro Cidade Baixa, caminhando entre os carros, pedindo a retirada da PEC 181/2011 de tramitação e também a legalização do aborto.
Para a estudante de direito da Ufrgs Domenique Goulart, 23 anos, a importância de protestar contra a proposta é para reforçar que existe uma tentativa de retirada de direitos das mulheres. “Precisamos assegurar esses direitos que já temos e também lançar luz para este debate. Hoje o aborto clandestino é a quinta causa de morte entre gestantes do país”, afirmou. Domenique ainda ressaltou que é preciso mobilizar o Brasil em prol desta causa. “Eles dizem que são favoráveis à vida, mas qual vida? E as mulheres, que perdem suas vidas, em abortos clandestinos? Ou em gravidez de risco? Essas vidas não importam?”, criticou.
Mulheres protestam em Porto Alegre contra PEC que pretende proibir aborto
Grupo percorreu ruas centrais denunciando retirada de direitos em casos de estupro e risco de morte