Trindade também alegou que havia demora na inspeção do Corpo de Bombeiros devido ao acúmulo de pedidos. O sargento relatou que não estava em Santa Maria na madrugada da tragédia e, portanto, não participou do socorro às vítimas. Ele declarou que após uma reformulação na boate Kiss em 2009, o risco de incêndio no local aumentou. Os proprietários tinham a responsabilidade de informar aos bombeiros a cada reforma, o que, segundo o sargento, não ocorreu.
O major Márcio Faria e o soldado Cleiton Thomasi da Cruz , que deveriam ser ouvidos pela manhã, tiveram seus depoimentos adiados - a nova data ainda não está definida. Mais seis pessoas devem ser ouvidas pela juíza Viviane de Freitas Pereira no Tribunal do Júri à tarde e outras sete nesta quarta-feira.
Em agosto, após 130 dias de investigação, o Ministério Público (MP) denunciou oito militares à Justiça: o ex-comandante do 4º Comando Regional dos Bombeiros (CERB) Moisés Fucks; o capitão Alex da Rocha Camillo; o tenente-coronel Daniel da Silva Adriano (hoje na reserva); os soldados Marcos Vinicius Lopes Batisde, Gilson Martins Dias e Vagner Guimarães Coelho; e os sargentos Renan Severo Berleze e Sérgio Roberto Oliveira de Andrade.
A tragédia
O incêndio na boate Kiss – que ficava na Rua dos Andradas, Centro de Santa Maria – começou por volta das 2h30min da madrugada de 27 de janeiro. Dos jovens que participavam de uma festa organizada por estudantes da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), 242 morreram em decorrência do fogo.
Segundo testemunhas, o incêndio teria começado quando um dos integrantes da banda Gurizada Fandangueira, que acabara de subir ao palco, lançou um sinalizador. O objeto teria encostado na forração da casa noturna. As pessoas não teriam percebido o fogo de imediato, mas assim que o incêndio se espalhou, a correria teve início. Conforme relatos, os extintores posicionados na frente do palco não funcionaram.
Em pânico, muitos não conseguiram encontrar a única porta de saída do local e correram para os banheiros. Aqueles que conseguiram fugir em direção à saída, ficaram presos nos corrimãos usados para organizar as filas. A boate foi tomada por uma fumaça preta e as pessoas não conseguiam enxergar nada. A maioria morreu asfixiada dentro dos banheiros ou na parte dos fundos da boate.