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"Não podemos deixar no esquecimento", diz presidente de associação em SM

Incêndio na boate Kiss completou um mês nesta quarta-feira

Ato em praça no centro de Santa Maria lembrou as vítimas da tragédia
Ato em praça no centro de Santa Maria lembrou as vítimas da tragédia Foto : João Vilnei / Especial CP
Um mês após o incêndio na boate Kiss, em Santa Maria, que deixou 239 mortos, o sentimento ainda é de dor, mas sobreviventes, familiares e amigos das vítimas começam a articular ações para tentar evitar que uma nova tragédia como essa volte a ocorrer. “O pessoal ainda está enlutado. Nosso passo agora é no sentido das fiscalizações, para não deixar no esquecimento o que aconteceu”, avaliou o presidente da Associação de Familiares e Vítimas da Tragédia de Santa Maria, Adherbal Ferreira, em entrevista ao programa "Esfera Pública", da Rádio Guaíba.

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Para marcar a data, milhares de pessoas se reuniram na praça Saldanha Marinho, centro do município. Sinos das igrejas soaram em homenagem às 239 pessoas que perderam as vida sem decorrência do sinistro. Parentes rezaram um Pai Nosso e, em seguida, transformaram a dor em "barulho". “Essa tragédia faz 30 dias, mas parece que foi ontem. Às vezes parece que faz um ano. Hoje fizemos um bate-palma, sinos e buzinas tocaram e a adesão foi muito boa. A gente percebeu que está no caminho certo”, disse Aderbal Ferreira.

A associação, sem fins lucrativos, foi oficializada no sábado. O objetivo do grupo, além de fornecer suporte emocional aos envolvidos, é cobrar resultados das investigações sobre o incêndio e os direitos dos parentes na Justiça.

A tragédia

O incêndio na boate Kiss – que fica na Rua dos Andradas, Centro de Santa Maria – começou por volta das 2h30min da madrugada de 27 de janeiro. O público participava de uma festa organizada por estudantes da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). A tragédia deixou 239 pessoas mortas.

Segundo testemunhas, o fogo teria começado quando um dos integrantes da banda Gurizada Fandangueira, que acabara de subir ao palco, lançou um sinalizador. O objeto teria encostado na forração da casa noturna. As pessoas não teriam percebido o fogo de imediato, mas assim que o incêndio se espalhou, a correria teve início.
Conforme relatos, os extintores posicionados na frente do palco não funcionaram.

Em pânico, muitos não conseguiram encontrar a única porta de saída do local e correram para os banheiros. Aqueles que conseguiram fugir em direção à saída, ficaram presos nos corrimãos usados para organizar as filas. A boate foi tomada por uma fumaça preta e as pessoas não conseguiam enxergar nada. A maioria morreu asfixiada dentro dos banheiros ou na parte dos fundos da boate.

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