A Ordem dos Advogados do Brasil, Secção RS (OAB/RS), instalou nesta segunda-feira a Subcomissão da Verdade da Escravidão Negra no RS. Esta é a segunda subcomissão instalada no país com a intenção de debater a verdadeira história do povo negro.
O presidente da comissão, Humberto Adami, afirmou ser uma tarefa imensa mexer com o passado da população negra do Brasil. “Vai ser impossível acabar com o racismo no país, mas começar o debate já é uma vitória. Isso passa pela luta das cotas no emprego público”, destacou, para completar, “os afrodescendentes são considerados povo de segunda classe. O que se fez até agora para modificar isso? Se chorou”, afirmou.
O coordenador Jorge Terra relatou ser um desafio muito grande levantar toda a história de desigualdade entre negros e brancos no Estado. “A sociedade brasileira está sendo ineficaz no acesso ao poder do povo negro. No Estado, temos apenas um procurador da Justiça e dois juízes afrodescendentes. A mulher negra é duplamente discriminada. Ela sofre as maiores injustiças possíveis”, analisou.
O discurso mais forte foi de Ubirajara Toledo, que lembrou da invisibilidade do povo negro no RS. “O Estado era inacessível e árido antes da chegada dos negros. Eles foram a mão de obra das charqueadas, fundaram mais de 150 comunidades quilombolas neste rincão. Só a lei não garante a liberdade. A escravidão foi uma política de Estado, impossibilitando que o povo negro tivesse direitos”, externou. O presidente da OAB/RS Marcelo Bertoluci destacou a tradição da Ordem em atos de direitos humanos. “A história tem que ser resgatada sob todas as óticas e não apenas o da sociedade opressora”, completou.
OAB instala Subcomissão da Verdade da Escravidão Negra no RS
Grupo debaterá o passado de crimes contra os direitos dos negros no Estado