Mais de dez pais de vítimas da tragédia do ônibus escolar ocorrido em 2004, em Erechim, realizam na manhã desta quarta-feira uma manifestação em frente ao fórum do município do Norte gaúcho. Eles querem uma palavra oficial do Judiciário sobre quando o processo penal contra os acusados no caso retornará à cidade.
De acordo com Marinês Modzinski, que perdeu um filho de 12 anos na tragédia, ela e outros pais teriam informações de que o caso ainda não estaria prescrito se for entendido no Supremo Tribunal Federal (STF) como um doloso. “Se o ministro decidir como doloso ainda tem chances de punição” disse Marinês. Ela acrescentou que “queremos que desça de Brasília este processo”.
A mesma mãe observou que, mesmo sabendo que “os filhos não voltarão mais, as vítimas saberão que lutamos por eles. Se estivessem vivos fariam o mesmo por nós”, disse ela, para justificar que no caso de uma condenação dos acusados “haverá um sentimento de justiça”.
Dilceu Pertili, que acorrentou-se às grades do Fórum, sob a calçada da frente, salientou que o grupo de pais quer uma resposta da Justiça. “Eles prometeram que em seis meses teríamos uma resposta e já passou quase um ano e não recebemos nada”. A última manifestação dos pais de vítimas no mesmo local ocorreu em 2 de outubro de 2013. Pertili disse que tem informações de que se o caso for definido como culposo "situação em que o processo foi enviado ao STF já estaria prescrito".
Os pais começaram a chegar às 7h45min sob chuva. Aos poucos, eles foram colocando cartazes nas grades do Fórum e as fotos dos filhos não chão ou seguravam em frente ao peito. Rosas brancas também foram colocadas no chão. O protesto é pacífico. Uma faixa sintetiza a saudade e o sentimento dos pais: "Todas as vidas são maravilhosas, mas nossas crianças não puderam conhecê-las”.
Nessa segunda, completaram-se dez anos da tragédia. No dia 22 de setembro de 2004, um ônibus que fazia o transporte escolar nos KM 10 e 7, Linhas Argenta e Barragem da Corsan, ao tentar atravessar o lago da barragem, desgovernou-se e caiu dentro das águas do lago. Morreram 17 pessoas e 15 conseguiram se salvar. Três pessoas foram acusadas e denunciadas, mas o caso julgado em Erechim como doloso, passou a culposo no Tribunal de Justiça do Estado (TJ), decisão que foi ratificada no Superior Tribunal de Justiça (STJ). Agora encontra-se no Supremo Tribunal Federal (STF) e, no entendimento de advogados já estaria prescrito.
O advogado Irineu Gehlen, que representou 14 famílias de vítimas da tragédia em um processo cível, disse que “se o Supremo Tribunal Federal (STF) der procedência ao recurso do Ministério Público (MP) o processo baixa para júri popular e não há prescrição”. No entanto, o próprio advogado avaliou que está é uma hipótese “remota, porquanto quase todos os acidentes de trânsito são julgados culposos. E neste caso o Tribunal de Justiça do Estado (TJ) já decidiu que se trata de um crime culposo e não doloso”.
Ainda de acordo com o advogado Irineu Gehlen “se o STF negar provimento ao recurso do MP, na minha visão, o crime já estará prescrito e com isto estaremos mais uma vez diante da impunidade”, finalizou. O advogado apenas acompanha o caso na esfera criminal representando o mesmo grupo de famílias.